Ilan diz que inflação recua, mas em velocidade ainda incerta

sexta-feira, 7 de outubro de 2016 11:55 BRT
 

Por Christian Plumb

WASHINGTON (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta sexta-feira que a evolução dos preços indica um processo de desinflação em curso, mas com velocidade "ainda incerta", e destacou que, do lado fiscal, as ações para o controle das despesas têm impacto imediato na confiança dos agentes econômicos.

Os comentários, nos bastidores da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Washington, nos Estados Unidos, foram feitos após a inflação medida pelo IPCA em setembro ter subido 0,08 por cento em setembro, menor nível em pouco mais de dois anos, e patamar mais baixo para o mês desde 1998, favorecida pelo alívio no preço dos alimentos. Em 12 meses, o IPCA desacelerou a 8,48 por cento.

Ilan reiterou que o BC está comprometido com o controle da inflação em todo o horizonte de política monetária, que abrange os anos com metas já definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), inclusive o ano de 2017, para o qual persegue a convergência para o alvo de 4,5 por cento.

"A flexibilização das condições monetárias dependerá de fatores que permitam aos membros do Copom (Comitê de Política Monetária) maior confiança no alcance das metas de inflação. O Copom avaliará a evolução de todos fatores como um todo, pois nenhum deles é, por si só, suficiente para as decisões de política monetária", afirmou.

Na próxima reunião do Copom, marcada para os dias 18 e 19 de outubro, a expectativa majoritária do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, que está em 14,25 por cento ao ano atualmente.

O presidente do BC repetiu avaliação feita mais cedo nesta semana, em apresentação no Senado, sobre a evolução das condições em relação às quais deve ver melhoria antes de cortar os juros.

Sobre os preços de alimentos, apontou que evidências recentes indicam que a queda dos preços ao produtor tem se transmitido para o varejo, com projeções para subitens de alimentos parecendo mostrar mais segurança no processo de reversão do choque de preços nesse setor.

Já sobre os preços de serviços, ponderou que os sinais ainda são inconclusivos quanto à velocidade da desinflação em direção à meta.   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn
15/9/2016 REUTERS/Adriano Machado