CENÁRIOS-Mercado de trabalho do Brasil só deve se recuperar após 1º tri de 2017

sexta-feira, 7 de outubro de 2016 16:48 BRT
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado de trabalho só vai dar os sinais iniciais de melhora após o primeiro trimestre do ano que vem e apenas em 2018 a massa salarial deve retornar para perto dos maiores patamares da história, vistos em 2015, estimam economistas consultados pela Reuters.

O alívio no quadro do emprego deve ocorrer por causa da melhora esperada para a atividade econômica. Neste ano, analistas ainda projetam uma retração no Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 3 por cento, mas avaliam que a economia brasileira deve se recuperar no ano que vem, embora com um crescimento modesto, de 1,30 por cento, segundo o último relatório Focus.

Enquanto a recuperação não se concretiza, a atual fraqueza da economia deve fazer o desemprego apurado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua subir e chegar ao pico de 12,4 por cento no fim do primeiro trimestre, segundo avaliação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).

"O mercado de trabalho não deve apresentar sinais de melhora neste ano. As demissões e os cortes de vagas devem continuar nos próximos meses", disse o pesquisador do Ibre/FGV Tiago Cabral Barreira. "A taxa de desemprego sobe até o primeiro trimestre de 2017, e daí em diante vai começar a cair."

O comportamento do emprego costuma ter um atraso em relação ao da economia. Nos momentos de desaceleração, é a última variável a apresentar piora. Mas também nos ciclos de recuperação, demora mais para retornar do que a atividade econômica.

Os últimos indicadores referentes ao mercado de trabalho mostram um quadro complicado. A Pnad Contínua apontou que a taxa de desocupação chegou a 11,8 por cento --o equivalente a 12 milhões de brasileiros sem emprego-- no trimestre encerrado em agosto.

    A previsão do Bradesco indica um caminho mais lento na recuperação do emprego, com a piora seguindo até a metade do ano que vem. No auge da crise do emprego, o banco projeta uma desocupação de 12,5 por cento em meados do ano.

"Para que o desemprego recue é preciso que a ocupação cresça acima da PEA (População Economicamente Ativa), que hoje está rodando em 1 por cento, 1,5 por cento em termos anuais. E, por enquanto, a ocupação continua caindo", disse o economista do Bradesco Igor Velecico.   Continuação...

 
Pessoas buscam trabalho em agência no centro de São Paulo
14/3/2016 REUTERS/Paulo Whitaker