Preços do trigo abaixo do mínimo no Brasil exigirão medidas do governo, diz fonte

sexta-feira, 7 de outubro de 2016 18:46 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - Os baixos preços do trigo nacional, com a colheita de uma grande safra no Brasil e também na Argentina, exigirão que o governo brasileiro tome medidas para sustentar as cotações, como compras para a formação de estoques públicos, na avaliação de executivo sênior de uma trading internacional com atuação forte no Brasil.

Para sustentar os preços, seriam necessárias medidas para retirar do mercado entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas, ou até 25 por cento da safra nacional de 2016, segundo a fonte, que pediu para ficar no anonimato porque não pode falar com a imprensa.

Com o início de uma robusta colheita de trigo do Brasil e a proximidade de uma grande safra na Argentina --o principal fornecedor do produto importado para os moinhos brasileiros--, a cotação do cereal no país está abaixo do preço mínimo de garantia do governo, o que deverá desestimular produtores no ano que vem.

Pela lei, o governo deve agir quando isso acontece, mas no momento o país está no meio de um ajuste fiscal que pode trazer dificuldades para tal movimento, diante da escassez de recursos. Procurado, o Ministério da Agricultura não comentou o assunto imediatamente.

"Os preços no mercado interno chegaram abaixo do preço mínimo. Tem que fazer AGF (compras diretas de produtores para estoques públicos) e outros programas como Pepro e Pep", disse a fonte, referindo-se a programas do governo que subsidiam o transporte do produto para áreas não produtoras e até mesmo para exportações.

Segundo a fonte, o uso do programa de subsídio para auxiliar a exportação, como já aconteceu no passado, pode ser complicado no momento, uma vez que o mecanismo poderia ser questionado na Organização Mundial de Comércio (OMC), com o mercado global abastecido e os preços do cereal oscilando perto dos menores níveis em dez anos.

"Talvez vão ter que fazer AGF, os estoques do governo estão zerados e é sempre bom ter estoques, para questões de combate à inflação", disse a fonte, durante um evento do setor nesta sexta-feira.

A situação do trigo no Brasil, que deverá colher uma safra acima de 6 milhões de toneladas, bem perto do recorde, é tão ruim que o "cereal nacional não chega a São Paulo porque o produto argentino é mais competitivo", disse a fonte.   Continuação...