Rating especulativo do Brasil limita avanço dos mercados financeiros no país

segunda-feira, 10 de outubro de 2016 19:59 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - Os mercados financeiros brasileiros não devem repetir o forte avanço deste ano, mesmo se o Congresso aprovar uma agenda de reformas considerada amigável para o mercado, já que os valores dos ativos estão próximos do teto para a classificação de crédito especulativa do país.

Os títulos, as ações e a moeda brasileira apresentam um dos melhores desempenhos do mundo neste ano, com os investidores recebendo bem as promessas do novo presidente Michel Temer de passar medidas para limitar os gastos públicos e reduzir o rombo previdenciário.

Os investidores estão agora ansiosos e esperando para ver se Temer conseguirá cumprir essas promessas, mas mesmo se o Congresso aprovar a agenda ambiciosa, analistas afirmam que há pouco espaço para altas mais dramáticas.

"O Brasil percorreu um longo caminho e grande parte das boas notícias já está precificada", disse o gerente de carteira da Aberdeen Investments Viktor Szabo, que está reduzindo a sua exposição à dívida dolarizada do governo brasileiro.

As promessas de reformas já deixaram os investidores muitos mais dispostos a emprestar para o Brasil. Os rendimentos dos títulos brasileiros de 10 anos em moeda local caíram mais de 500 pontos básicos até agora neste ano, de acordo com analistas do Credit Suisse.

O credit default swaps (CDS) de cinco anos do Brasil, um medidor de risco de calote, pavimentou o caminho para o avanço deste ano, ao recuar para 264 pontos básicos na segunda-feira, ante aproximadamente 500 pontos básicos no início deste ano.

O CDS está abaixo da média de 294 pontos básicos para países que compartilham o rating "BB" das três principais agências de classificação de risco, e está testando o quão longe os spreads podem ir na maior economia da América Latina sem o grau de investimento.

Todos as três principais agências de rating retiraram o grau de investimento do Brasil entre setembro de 2015 e fevereiro 2016.   Continuação...