Klabin quer convencer cafeicultores a trocar sacos de juta por papel

terça-feira, 11 de outubro de 2016 17:57 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A maior fabricante brasileira de papeis para embalagens Klabin está ampliando sua estratégia de diversificação de produtos e pretende substituir os tradicionais sacos de juta usados no transporte de café por modelos de papel, em meio à crise de mercados como o de construção civil no país.

A companhia encomendou pesquisa que afirma que os sacos de papel são capazes de manter a qualidade do grão de café por mais tempo que os sacos de tecido, usados há décadas no Brasil, que é o maior produtor e exportador mundial da commodity.

A empresa pretende capturar em três anos uma participação de 80 por cento nas embalagens de cafés especiais produzidos no país e 40 por cento do café comum, disse Douglas Dalmasi, diretor de sacos industriais da Klabin, área que é responsável por cerca de 10 por cento do faturamento da companhia.

Segundo ele, a Klabin espera conseguir neste ano vender 1 milhão de sacos de papel para café, de um total potencial para a safra 2016/17 de mais de 24 milhões. Para a próxima safra, a intenção é elevar esse volume em cinco ou seis vezes.

"A pesquisa ficou pronta na semana retrasada, então vamos pegar algumas semanas ainda desta safra", disse Dalmasi, acrescentando que o estudo elaborado em parceria com a Universidade Federal de Lavras (MG) foi encomendado para ajudar a convencer os empresários cafeicultores a apostar nas sacas de papel.

Um dos clientes já obtidos pela Klabin para o produto é a Cooxupé, maior cooperativa de cafeicultores do Brasil e líder na exportação de café no país, que informou em fevereiro que começou a usar sacaria de papel para exportação de café arábica.

Dalmasi comentou que a Klabin já tem 40 clientes no Brasil para os sacos de café e que está visitando grandes compradores de café como Starbucks, Illy e Nestlé para conseguir ampliar as vendas do produto.

O saco da Klabin para café tem capacidade para 30 quilos ante 60 quilos dos modelos de juta. O novo saco tem camadas de papel e um filme plástico que ajudar a preservar umidade e temperatura do produto. Segundo Dalmasi, o custo é de 1,50 dólar por saco de papel ante 5 dólares dos de juta.

O negócio de sacos industriais da Klabin já foi 60 por cento voltado para a construção civil, para insumos como cimento e gesso, mas com o declínio do mercado nos últimos anos, essa fatia está atualmente em 45 por cento. Diante deste cenário, a empresa tem buscado outras frentes como sacos de papel para fertilizantes, farelo e farinha, bem como exportações para países como Estados Unidos e México.   Continuação...