KKR enfrenta batalha com vendedores de provedor brasileiro de dados, dizem fontes

quarta-feira, 12 de outubro de 2016 19:14 BRT
 

Por Tatiana Bautzer

SÃO PAULO (Reuters) - A malfadada aquisição pela KKR de um provedor brasileiro de centros de dados tem envolvido a empresa de private equity numa batalha com os vendedores e também com um financiador chave, à medida que a companhia luta para desfazer a transação nos seus próprios termos.

O primeiro investimento direto da KKR no Brasil, que entrou em recessão profunda no ano em que a aquisição foi finalizada, mostra os perigos dessas operações na maior economia da América Latina, especialmente para investidores estrangeiros menos familiares com a forma como o país funciona.

No confronto relacionado à Aceco TI, com sede em São Paulo, a KKR acusa os ex-proprietários de encobrir propinas e fraudes contábeis no momento da venda em 2014. Com o resultado da disputa pendente, a empresa de private equity suspendeu os pagamentos dos empréstimos bancários para o acordo, enfurecendo o Bradesco, um financiador chave, segundo pessoas que acompanham o impasse.

Enquanto a KKR culpa as supostas irregularidades pela queda nos rendimentos e lucros da Aceco desde a aquisição, os vendedores, a General Atlantic, empresa de private equity rival, e a família Nitzan, fundadora da Aceco, afirmam que o problema é mau gerenciamento e o momento ruim.

Num e-mail para a Reuters, Jorge Nitzan, ex-executivo-chefe da Aceco, negou as acusações de irregularidades e disse que o “momento do investimento (da KKR) não poderia ter sido pior e foi agravado por mau gerenciamento posterior à aquisição”.

“Agora, a KKR está tentando desfazer o acordo e culpar os outros pela aquisição mal programada”, afirmou Nitzan, em um comunicado.

Kristi Huller, porta-voz da KKR, afirmou em comunicado que “irregularidades gerenciais” foram a causa real dos problemas da Aceco.

A KKR buscou uma arbitragem com os vendedores meses atrás, argumentado que o fato de eles não terem divulgado a suposta fraude contábil deveria permitir que o acordo fosse revertido e que a empresa recebesse o seu dinheiro de volta.   Continuação...