Telefônica Brasil planeja manter investimento de R$8 bi por ano, diz presidente

terça-feira, 18 de outubro de 2016 15:02 BRST
 

Por Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) - A Telefônica Brasil, que opera sob a marca Vivo, espera seguir investindo 8 bilhões de reais por ano no país, disse nesta terça-feira o presidente-executivo, Amos Genish.

O executivo disse que a empresa quer se transformar numa plataforma de serviços digitais, diante do encolhimento das receitas com serviços de voz. "Um modelo que é focado em voz e não em banda larga está ultrapassado", disse Genish, que deixará a presidência da operadora no fim do ano, sendo substituído por Eduardo Navarro.

Genish afirmou que a Telefônica Brasil vai diversificar suas fontes de receita e seguir implementando cortes de custos para melhorar rentabilidade e os dividendos.

As operadoras de telecomunicações já foram grandes pagadoras de dividendos, mas as rápidas transformações tecnológicas as obrigaram a reverem seus modelos de negócios nos últimos anos.

Segundo Genish, a Telefônica Brasil vai manter o foco em crescimento orgânico e voltou a negar a chance de comprar ativos de telefonia fixa, inclusive os da rival Oi, que poderiam ser vendidos no âmbito da recuperação judicial.

Com relação ao novo marco regulatório para o setor, Genish disse que esta é "a primeira vez em anos" que as operadoras e o governo federal concordaram com uma agenda comum.

Para Genish, a substituição do modelo de concessões baseado em serviços de voz vai ajudar o investidor a calcular de maneira exata o valor dos ativos, o que cria mais segurança jurídica e a chance de atrair mais investimentos.

A reforma da regulação, que o Congresso Nacional debate há meses e só devem entrar em vigor em 2017, estão baseadas em conceitos certos, disse Genish. Mas o setor espera ampliar o debate, incluindo a carga tributária sobre as operadoras.

"No Brasil, paga-se (de imposto) 43 centavos para cada real gasto com serviços de comunicação", disse Genish a jornalistas durante evento. Se a carga tributária não for revista, as operadoras continuarão a repassar os custos ao consumidor final, o que inibe a demanda por serviços, disse Genish.