ENFOQUE-Petrobras e sindicatos travam guerra ideológica por apoio de funcionários

quarta-feira, 19 de outubro de 2016 11:18 BRST
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A alta cúpula da Petrobras e os sindicatos têm travado uma disputa de ideias por apoio dos petroleiros, enquanto a empresa busca evitar uma prolongada greve que vem sendo planejada diante do descontentamento com o programa de venda de ativos da companhia e da proposta de reajuste salarial abaixo da inflação.

Sindicalistas falam em "guerra ideológica" encabeçada pelo presidente-executivo da Petrobras, Pedro Parente, e dizem até que a empresa mudou sua forma de se comunicar com empregados, imprensa e sindicatos, como forma de buscar apoio para seu plano de negócios, que inclui a meta de desinvestimentos de 34,6 bilhões de dólares entre 2015-2018.

Além de cartas enviadas por e-mail, assinadas pelo executivo usando apenas o primeiro nome, Parente tem respondido questionamentos enviados por funcionários pela rede interna da empresa e realizado encontros presenciais para responder perguntas, numa exposição atípica para um CEO de uma empresa como a Petrobras.

Em geral, o presidente busca apoio dos funcionários para implementar mudanças consideradas cruciais pela atual gestão para recuperar a saúde financeira da companhia, cuja dívida líquida encerrou o segundo trimestre acima de 330 bilhões de reais.

Dando atenção pessoal muitas vezes, Parente ainda explica aos trabalhadores declarações feitas à imprensa e medidas tomadas em outras esferas.

"O processo de comunicação que a empresa está fazendo é coisa de guerra mesmo... está tentando estabelecer um vínculo de aproximação da alta administração com os trabalhadores", afirmou o líder sindical Deyvid Bacelar, que foi representante dos empregados no Conselho de Administração da Petrobras em 2015.

Os sindicatos argumentam que a venda de ativos não é a única forma de reduzir a dívida da empresa, principal motivação da atual gestão, e protestam contra a decisão da companhia de sair de diversos setores, como o de biocombustíveis.

Em entrevista à Reuters, no mês passado, Parente afirmou que a gestão da empresa tem sido muito respeitosa e transparente com sindicatos e funcionários, e que espera uma contrapartida.   Continuação...