Petrobras eleva proposta salarial e oferece aumento de 6%; sindicatos rejeitam

quarta-feira, 19 de outubro de 2016 16:10 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras apresentou nesta quarta-feira uma nova proposta de Acordo Coletivo de Trabalho aos funcionários, com um reajuste salarial mais alto, mas ainda abaixo da inflação do ano anterior, segundo sindicatos que rejeitaram a oferta, que inclui a redução de pagamentos de horas extras.

Dessa vez, a empresa ofereceu um reajuste de 6 por cento sobre o salário básico, contra nenhum aumento na proposta anterior. Também propôs aumento de 6 por cento das tabelas de remuneração mínima de nível e regime (RMNR), ante 4,97 por cento na proposta anterior, informaram sindicalistas.

"Diante de uma primeira proposta tão rebaixada, a companhia tenta apresentar sua segunda proposta como um grande avanço... Entretanto, trata-se simplesmente de perfumar o que segue sendo um grande ataque", disse o Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP), em nota.

O sindicato lembrou que a inflação acumulada dos últimos 12 meses, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), atingiu 9,12 por cento.

O Sindipetro afirmou que, além de oferecer um reajuste muito abaixo da inflação, a empresa manteve a redução pela metade no pagamento de horas extras.

A empresa também ofereceu a opção de redução da jornada diária de trabalho de 8 para 6 horas, mediante redução de 25 por cento da remuneração, para empregados em horário flexível e sem função gratificada.

A nova proposta tem potencial de alimentar uma paralisação das atividades. Os trabalhadores já aprovaram em assembleias o estado de greve e, legalmente, podem iniciar o movimento a qualquer momento.

No ano passado, os funcionários realizaram a maior greve da Petrobras em 20 anos, com impacto importante na produção de petróleo. Além disso, assim como no ano passado, os sindicatos estão extremamente insatisfeitos com o plano bilionário de venda de ativos da Petrobras.

Procurada, a Petrobras não comentou o assunto imediatamente. Em entrevista recente, o presidente da estatal, Pedro Parente, afirmou que não poderia conceder "generosos aumentos" aos funcionários, em momento em que a empresa busca reduzir sua enorme dívida.   Continuação...

 
Sede da Petrobras no Rio de Janeiro, Brasil
21/03/2016 REUTERS/Sergio Moraes