Alta do etanol anidro impede redução do preço da gasolina na bomba, dizem postos

quarta-feira, 19 de outubro de 2016 17:38 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O sindicato que representa os postos de combustíveis no Estado de São Paulo informou nesta quarta-feira ser inviável qualquer redução no preço da gasolina comum, mesmo após a queda dos preços nas refinarias anunciado semana passada pela Petrobras.

Segundo o Sincopetro, a forte elevação nos últimos dias no custo do etanol anidro, produto que é misturado à gasolina pura nas distribuidoras antes de a gasolina comum chegar às bombas, vai neutralizar o corte no preço feito pela estatal petroleira.

O governo brasileiro contava com a queda da gasolina no varejo como um fator adicional de combate à inflação, de olho em um cenário que permita a queda dos juros e estimule a recuperação da atividade econômica.

"Mesmo com a redução de 3,2 por cento anunciado pela Petrobras no preço da gasolina, com o aumento do preço do etanol anidro, que entra em sua composição em 27 por cento, a redução do preço da gasolina torna-se inviável", disse o sindicato em nota.

"Atualmente a revenda não tem como absorver esse custo e não tem outra alternativa senão repassar aos consumidores os valores cobrados pelas distribuidoras."

De acordo com o indicator Cepea/Esalq, da Universidade de São Paulo, os preços do anidro subiram quase 15 por cento no último mês, à medida que se aproxima o fim da safra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil.

As usinas brasileiras, além disso, têm dado preferência à produção de açúcar nos últimos meses, já que o produto registrou forte alta no último ano no mercado internacional devido a um déficit global na oferta.

Os futuros do açúcar bruto na bolsa de Nova York (ICE) estão nos maiores níveis dos últimos quatro anos.

(Por Marcelo Teixeira)