ENTREVISTA-Nova safra de soja deverá ser mais negociada no mercado à vista, diz Algar Agro

quarta-feira, 19 de outubro de 2016 17:47 BRST
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Os negócios de venda de soja da nova safra do Brasil deverão seguir bastante travados pelos próximos meses e evoluir apenas quando a colheita começar, no primeiro trimestre de 2017, devido a uma retração de produtores e das próprias empresas compradoras, disse nesta quarta-feira o presidente da trading Algar Agro, Murilo Braz Sant'Anna.

Segundo o executivo, indicativos de câmbio desfavorável e baixos preços da soja no mercado externo mantêm retraídos os agricultores, enquanto empresas compradoras avaliam a melhor estratégia para garantir margens, após acirrada competição ao longo de 2016.

"O senso de responsabilidade das empresas indica que no ano que vem não vamos ter sangue escorrendo pela rua como tivemos este ano", disse Sant'Anna, referindo-se a uma guerra de preços que teria sido motivada por empresas novas no mercado brasileiro.

"Novos entrantes pagavam qualquer preço porque queriam se posicionar no Brasil, fazer volume. Chega no fim do ano, você tem um resultado muito negativo. Este ano todas as empresas do setor, as grandes e as pequenas, todo mundo está passando um ano muito difícil."

Até o momento, os negócios de venda antecipada da safra 2016/17, que está sendo semeada, estão muito abaixo do registrado na mesma época de outros anos.

Segundo a consultoria França Junior, até 7 de outubro, 24 por cento do volume total esperado para a safra já estava negociado, bem abaixo dos 40 por cento no mesmo período da temporada passada. Os negócios também seguem abaixo dos 31 por cento da média dos últimos cinco anos para esse período.

Na avaliação do executivo da Algar Agro, a maior estabilidade política no país e uma melhora no ambiente de negócios deverão atrair novamente capital estrangeiro para investimentos no Brasil. Contudo, o efeito negativo deverá ser uma valorização do real frente o dólar nos próximos meses, o que diminui a lucratividade as exportações do país.

"Não vamos viver aqueles picos, de dólar a 4 reais, por exemplo, que o produtor usava para vender grandes volumes", projetou Sant'Anna.   Continuação...