Europeus correm risco de ficar atrás de Wall Street em corrida para tecnologia blockchain

quarta-feira, 19 de outubro de 2016 18:18 BRST
 

LONDRES (Reuters) - A tecnologia blockchain por trás da bitcoin foi projetada para acabar com os bancos. Em um revés irônico, os bancos de investimento estão correndo para fazê-la funcionar em seu favor - mas os endividados bancos europeus correm o risco de ficar para trás de seus rivais em Wall Street.

A blockchain foi desenvolvida oito anos atrás, permitindo que transações usando a moeda digital fossem processadas e liquidadas em uma rede pública, sem a necessidade de um intermediário.

Agora os bancos estão tentando aplicá-la em suas redes particulares para reduzir os custos ao diminuir o tempo para a liquidação dos negócios e automatizar sistemas que ainda estão em papel.

Cerca de 80 por cento dos maiores bancos globais terão lançado projetos blockchain até o ano que vem, disse o Fórum Econômico Mundial em agosto, descrevendo a tecnologia como o futuro "coração pulsante" do setor financeiro. Uma pesquisa com 200 importantes bancos globais realizada pela empresa de tecnologia IBM no mês passado descobriu que 15 por cento terão desenvolvido produtos comerciais de blockchain até o fim de 2017.

Mas é provável que haja um desequilíbrio transatlântico no lançamento de tais produtos, devido aos custos envolvidos no desenvolvimento da nova tecnologia. Enquanto os bancos de investimento dos EUA agiram rápido para se reestruturar e se recapitalizarem após a crise financeira, os bancos europeus ainda estão lutando para reduzir custos e melhorar os balanços.

"Os bancos europeus estão centrados em custos, enquanto os bancos norte-americanos, como o Goldman Sachs e o JPMorgan, estão tentando gerar receita, porque estão em diferentes condições de mercado", disse Simon Taylor, que foi encarregado do desenvolvimento de produtos de blockchain no Barclays por dois anos até que saiu em junho para cofundar a consultoria de tecnologia financeira 11:FS, em Londres.

(Por Jemima Kelly e Anjuli Davies)

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 56447723))

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