BC faz primeiro corte de juros em quatro anos, para 14%, e fala em movimento "gradual"

quarta-feira, 19 de outubro de 2016 20:49 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14 por cento ao ano, em decisão unânime, no primeiro corte desde 2012, diante do cenário de menor inflação e com a atividade econômica ainda sem dar sinais consistentes de recuperação.

Apesar de falar em movimento moderado e gradual, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC deixou aberta a possibilidade de acelerar em breve o ritmo de corte deste ciclo de afrouxamento iniciado agora, desde que veja maior desinflação do setor de serviços e mais avanços no ajuste fiscal.

"O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta para 2017 e 2018 é compatível com uma flexibilização moderada e gradual das condições monetárias", informou o BC. "O Comitê avaliará o ritmo e a magnitude da flexibilização monetária ao longo do tempo, de modo a garantir a convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento", acrescentou.

Em pesquisa Reuters, a mediana das expectativas apontava para redução 0,25 ponto percentual na Selic. Dos 50 economistas consultados, no entanto, 23 previram esse movimento e outros 23 estimaram corte de 0,5 ponto percentual, enquanto que quatro apontaram a manutenção da taxa básica.

A última redução da Selic ocorreu em outubro de 2012, quando a taxa passou de 7,50 para 7,25 por cento ao ano, menor patamar histórico. Depois disso, as decisões da autoridade monetária foram sempre no sentido de manter ou elevar os juros.

Desde julho do ano passado a Selic estava em 14,25 por cento ao ano, nível visto por alguns especialistas como excessivo diante da pior recessão econômica em décadas.

Ao ponderar qual será a dinâmica dos cortes na Selic daqui para frente, o BC afirmou que "uma possível intensificação do seu ritmo" vai depender de evolução favorável de fatores que acompanha de perto, de modo a ter maior confiança no alcance das metas para a inflação no horizonte relevante para a política monetária, que inclui 2017 e 2018.

Desta vez, o BC destacou dois e não mais três pontos em relação aos quais deve ver melhorias: que componentes do IPCA mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica retomem claramente uma trajetória de desinflação em velocidade adequada, numa referência aos preços de serviços; e que o ritmo de aprovação e implementação dos ajustes na economia ajudem no processo de desinflação.   Continuação...

 
Ilan Goldfajn , presidente do Banco Central, reage durante encontro do Comitê de Política Monetária em julho. 19/07/ 2016. REUTERS/Adriano Machado