Indústria de energia avança em tentativa de aliviar perdas com crise da Abengoa

quinta-feira, 20 de outubro de 2016 14:02 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Grandes fabricantes de equipamentos para energia elétrica avançaram em uma tentativa de reduzir perdas financeiras com a crise da espanhola Abengoa, que abandonou obras de linhas de transmissão no Brasil em novembro passado, ao negociar com sucesso a inclusão de uma emenda à medida provisória 735/16, aprovada na quarta-feira pelo Senado.

Empresas como ABB, GE, Siemens e Nexans, que haviam fechado contratos para fornecer à Abengoa e já tinham parte dos equipamentos prontos, querem que uma eventual relicitação das linhas de energia cuja construção estava a cargo do grupo espanhol preserve esses acordos, pelos quais as companhias ainda não receberam.

Pelo texto final da MP 735, o governo poderá tentar retomar os projetos da Abengoa relicitando o controle ou o capital social das subsidiárias responsáveis por cada empreendimento, e não as concessões da empresa, o que manteria vigentes todos os contratos já firmados por ela com fornecedores.

O diretor da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Newton Duarte, disse à Reuters que isso não livraria a indústria de algumas perdas, mas evitaria um prejuízo que pode chegar a quase 1 bilhão de reais.

"Acho que a gente pôde ter muito sucesso na discussão do governo, no sentido de esclarecer e pedir atenção para as dificuldades da indústria... Eram equipamentos de grande monta... Parte deles já entregues, outros não entregues mas já prontos", afirmou.

A MP aprovada pelo Senado irá agora para sanção do presidente Michel Temer, que poderá vetar pontos do texto.

Contudo, a Abinee está confiante de que não haverá veto, uma vez que a versão da MP aprovada no Senado permitiria inclusive viabilizar uma retomada mais rápida das obras nos cerca de 6 mil quilômetros em linhas que estavam a cargo da Abengoa.

"Em uma condição normal, levaria meses, às vezes anos, para aguardar a chegada dos equipamentos, e eles vão estar disponibilizados nas fábricas", disse Duarte.   Continuação...