MPF denuncia 21 por homicídio qualificado no caso Samarco

quinta-feira, 20 de outubro de 2016 18:50 BRST
 

(Reuters) - O Ministério Público Federal (MPF) informou nesta quinta-feira que denunciou à Justiça 22 pessoas e 4 empresas, sendo 21 pessoas por homicídio qualificado com dolo eventual, pelo rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, em novembro do ano passado.

Considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil, o rompimento da barragem em Mariana (MG) deixou 19 mortos, centenas de desabrigados e poluiu o rio Doce, que percorre diversas cidades até atingir o litoral capixaba.

Para o procurador da República José Adércio Sampaio, havia sinais de que a barragem corria riscos há alguns anos, o que ficou mais claro em 2014, e Samarco e suas proprietárias, a Vale com a anglo-australiana BHP Billiton, não tomaram medidas satisfatórias para evitar o acidente.

Ao contrário, segundo o procurador, os executivos denunciados apoiaram um processo de aumento da produção na região, que teria colaborado com o rompimento da barragem de Fundão, mesmo sabendo do problema. Em sua avaliação, a empresa buscava lucro em meio aos baixos preços globais do minério.

"O que nós tivemos foi o sequestro de uma política mais responsável de segurança da barragem por uma busca incessante por lucro", afirmou Sampaio, ao participar de uma coletiva de imprensa sobre a denúncia, em Belo Horizonte.

As ações preferenciais (PN) da Vale fecharam com alta de 4,43 por cento. Mais cedo nesta quinta-feira, a mineradora publicou um aumento da produção acima das expectativas dos analistas de mercado.

O MPF afirmou ainda que as investigações do caso identificaram documento interno da Samarco que previa, em caso de rompimento da barragem, a possibilidade de provocar até 20 mortes, dano ambiental e paralisação das atividades da empresa por até dois anos.

O documento ajudou a embasar a denúncia de homicídio qualificado com dolo eventual, quando se assume o risco de cometer o crime, disse o MPF.

Dentre os denunciados estão o ex-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, o diretor de Operações e Infraestrutura da empresa, Kleber Luiz Terra, além de três gerentes operacionais da mineradora.   Continuação...

 
Vista aérea da escola municipal de Bento Rodrigues, que ficou coberta por lama após o rompimento de uma barragem da Samarco em Mariana, no Brasil 
10/11/2015
REUTERS/Ricardo Moraes/File photo