Moody's corta rating da Odebrecht Engenharia e Construção para Caa1

quinta-feira, 20 de outubro de 2016 18:43 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A agência de classificação de risco Moody's cortou nesta quinta-feira o rating global da Odebrecht Engenharia e Construção (OEC), de B3 para Caa1, com perspectiva negativa, deixando a maior empreiteira do país ainda mais próxima do nível de calote.

"O rebaixamento reflete a percepção da Moody's de aumento de risco de crédito para a OEC devido à deterioração do perfil de liquidez da companhia até junho e às incertezas em meio à evolução dos riscos reputacionais", afirmou a agência, em nota.

Segundo a Moody's, o rating atual reflete a baixa probabilidade de que a geração interna de caixa e o perfil financeiro da empresa vão se recuperar significativamente nos próximos 12 meses devido ao ambiente desafiador do setor de infraestrutura, além de potenciais passivos.

Esta foi a mais recente de uma série de cortes de ratings que atingiram a Odebrecht e várias das maiores construtoras do país, devido aos efeitos da Lava Jato, que investiga um escândalo de corrupção envolvendo contratos com a Petrobras, e que praticamente fechou o mercado de crédito para o setor.

A Odebrecht SA, que controla a OEC, está buscando um acordo de leniência com o governo, enquanto o ex-presidente da companhia, Marcelo Odebrecht, segue preso. Para a Moody's, a conclusão desse processo é essencial para a sustentabilidade operacional da companhia.

Em junho, a OEC divulgou volume de projetos contratados de 22,9 bilhões de dólares, redução de 19 por cento no portfólio de negócios desde o fim de 2015.

Devido a esse e outros fatores, a posição de caixa da empresa caiu de 2,5 bilhões de dólares em 31 de dezembro de 2015 para 1,7 bilhão de dólares em 30 de junho. Segundo a Moody's, o valor em caixa representa um pouco mais da metade da dívida não auditada, incluindo garantias de dívidas extra patrimoniais.

A classificadora de risco diz que os ratings podem ser novamente rebaixados se a empresa deixar de publicar relatórios anuais auditados, o que desencadearia aceleração de dívida, ou se fizer uma reestruturação de dívida que resulte em perdas maiores que as esperadas para credores. Os ratings também poderia ser reduzidos caso a agência perceba aumento do risco decorrente de ações judiciais.

Com o corte anunciado, a nota de crédito da OEC está apenas três degraus acima do nível considerado calote.   Continuação...