Iguatemi vê margem no topo de projeção este ano, mas receita no pé das expectativas

sexta-feira, 21 de outubro de 2016 13:16 BRST
 

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A administradora de shopping centers Iguatemi prevê encerrar 2016 com a margem no topo de suas estimativas, mas a receita vai ficar no piso das projeções, diante do cenário ainda de cautela dos consumidores de alta renda, foco da companhia, afirmou a vice-presidente de finanças, Cristina Betts.

A faixa de margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) esperada pela Iguatemi para este ano é de 73 a 77 por cento, enquanto a variação esperada de receita líquida é de crescimento entre 5 e 10 por cento.

A executiva avalia que o pior para o setor pode ter passado, mas ela se mostra cautelosa sobre quando uma recuperação vigorosa pode ocorrer uma vez que o país tem pela frente várias reformas políticas e econômicas que refletem no bolso dos consumidores.

"É um processo muito demorado. Não vamos ter uma evolução do consumo nos próximos 12 meses", disse Betts à Reuters, calculando que se houver crescimento médio de vendas, deve ser de abaixo de 5 por cento. "Mas isso não quer dizer que não haja marcas crescendo dois dígitos", afirmou, destacando o setor de saúde e beleza.

Para o terceiro trimestre, especificamente, Betts se limitou a dizer que "os números (da Iguatemi) devem vir bons" em relação à média do setor, mas que não foi um trimestre fácil. "Deve ser um pouco de mais do mesmo do que houve no segundo trimestre", disse. A companhia divulga o balanço em 9 de novembro.

A executiva disse que potenciais aquisições estão sempre no radar da empresa, mas não no curto prazo. O objetivo atual da Iguatemi é reduzir endividamento. A empresa encerrou o segundo trimestre com dívida total de 2,03 bilhões de reais e a relação dívida líquida/Ebitda subiu de 3,1 vezes no final de junho de 2015 para 3,26 vezes.

Betts destacou que a Iguatemi ainda trabalha sobre os planos de investimentos para 2017, mas adiantou que devem ficar abaixo dos aportes previstos para 2016, de 150 milhões a 170 milhões de reais. Em 2015, a companhia investiu 350 milhões de reais.