Inflação de serviços deve ceder e ajudar BC no ciclo de queda dos juros

sexta-feira, 21 de outubro de 2016 16:55 BRST
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - A inflação de serviços está sentindo o enfraquecimento da economia, sobretudo com a deterioração do mercado de trabalho, e a expectativa é que os preços sigam desacelerando em 2017, o que deve ajudar o Banco Central no ciclo de redução da taxa básica de juros.

As projeções de analistas ouvidos pela Reuters indicam que a inflação de serviços deve terminar perto 7 por cento neste ano. Em 2017, diante da previsão de aumento do desemprego, os economistas preveem que pode até ir a 5 por cento.

"Como o comportamento da inflação de serviços está associada ao mercado de trabalho, ela deve continuar caindo no ano que vem", afirma o pesquisador do Instituto Brasileira de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) Salomão Quadros, para quem a inflação de serviços deve fechar a 6 por cento em 2017.

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14 por cento ao ano, dando início a um novo ciclo de afrouxamento depois de quatro anos. No comunicado, apontou como um dos riscos para a inflação "os sinais de pausa no processo de desinflação dos componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico", numa referência à inflação de serviços.

Boa parte dos analistas de mercado acredita que o BC deve acelerar o ritmo da queda dos juros e no encontro de novembro reduzir os juros em 0,50 ponto porcentual, mas um corte de 0,25 não passou a ser totalmente desconsiderado por causa desse recado do BC.

Além da menor inflação de serviços, os que apostam numa queda mais intensa da Selic têm no radar a piora do mercado de trabalho, reflexo do ritmo fraco de atividade econômica.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostrou que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em agosto subiu para 11,8 por cento, nível recorde desde que o levantamento começou a ser realizado em 2012. No mesmo período do ano passado, a desocupação era de 8,7 por cento.

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