Trecho do linhão de Belo Monte entra na mira de autoridades por início lento

sexta-feira, 21 de outubro de 2016 17:07 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Um dos oito lotes em que foi dividida a obra de 2 mil quilômetros de um dos linhões que levarão a energia da mega hidrelétrica de Belo Monte, do Norte até o Sudeste, está na mira de equipes de fiscalização do setor elétrico devido a um ritmo inicial lento da construção, de acordo com documentos vistos pela Reuters e duas fontes com conhecimento do assunto.

Os atrasos nas obras têm gerado algumas cobranças das autoridades à empreiteira responsável, uma subsidiária brasileira da gigante chinesa SEPCO1, para um aumento no número de trabalhadores.

Órgãos de monitoramento do setor elétrico querem acelerar o empreendimento, de propriedade da BMTE --sociedade entre a também chinesa State Grid e Furnas e Eletronorte, ambas empresas do grupo Eletrobras-- para aproveitar o aumento da oferta de energia de Belo Monte, que começou a colocar suas primeiras máquinas em operação, e evitar que a usina não tenha como jogar no sistema elétrico toda sua geração, o que aconteceu recentemente com diversas usinas devido a atrasos em linhas.

Os primeiros meses atribulados da construção, que incluíram a morte de dois operários, um no final de setembro e um nos últimos dias, mostram o enorme desafio que será para o Brasil fazer a ligação da usina do Xingu, na Amazônia, ao sistema elétrico, uma empreitada que envolverá ao menos quatro grandes linhões e mais de 15 bilhões de reais em investimentos.

A primeira dessas linhas a ter construção iniciada está orçada em cerca de 5 bilhões de reais, com início das operações esperado para fevereiro de 2018.

O empreendimento foi alvo de uma fiscalização realizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta semana. Os técnicos da autarquia estão preocupados com o andamento das obras tocadas pela SEPCO1, e já pediram à empresa um aumento no número de trabalhadores "com o objetivo de se conseguir terminar as obras no prazo estabelecido", segundo um documento ao qual a Reuters teve acesso.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que reúne autoridades do governo para acompanhar o cumprimento de cronogramas de obras de energia, já apontou que a SEPCO1 apresenta "baixo desempenho em suas atividades" e que o trecho da empresa tinha avanço de 1 por cento, segundo ata da última reunião do órgão, em meados de agosto.

A SEPCO1 não retornou pedidos de comentário. A BMTE não respondeu questionamentos sobre o cronograma da linha.   Continuação...