Bancos se preparam para deixar Reino Unido após Brexit, diz chefe de órgão bancário

domingo, 23 de outubro de 2016 10:31 BRST
 

LONDRES (Reuters) - Grandes bancos internacionais estão se preparando para tirar parte de suas operações da Grã-Bretanha no início de 2017 devido à incerteza sobre o relacionamento futuro do país com a União Europeia (UE), disse uma autoridade bancária sênior.

Escrevendo no jornal Observer, Anthony Browne, chefe-executivo do grupo de lobby Associação dos Banqueiros Britânicos, disse que o debate público e político está "nos levando na direção errada" e que os negócios não podem esperar até o último minuto.

"A maioria dos bancos internacionais agora tem times de projetos trabalhando para ver quais operações eles precisam mudar para garantir que possam continuar servindo os consumidores, a data​ que isso deve acontecer e qual a melhor forma de fazer isso", disse Browne.

"Muitos bancos pequenos pretendem começar a realocar antes do Natal, bancos maiores esperam começar no primeiro semestre do ano que vem."

Muitos dos maiores bancos do mundo têm suas sedes europeias na Grã-Bretanha, onde o setor financeiro emprega mais de duas milhões de pessoas e representa quase 12 por cento da economia.

Bancos em Londres dependem de um "passaporte" europeu para servir clientes por toda UE a partir de uma base e credores estão preocupados se esse direito irá ​acabar após o Brexit.

Browne disse que enquanto o ministro das Finanças, Philip Hammond, e o ministro do Brexit, David Davis, estavam "fazendo os barulhos certos", ele estava preocupado com o fato ​de que alguns apoiadores de alto escalão do Brexit acreditavam que os bancos não precisavam de passaporte e podiam depender ​da chamada equivalência, sobre a qual a UE pode permitir o acesso a seus mercados para países cujas regulações são semelhantes às do bloco.

"O regime de equivalência da UE é uma sombra pobre de passaporte, ele cobre apenas uma limitada gama de serviços, pode ser retirado sem nenhum aviso e provavelmente significará que o Reino Unido terá que aceitar regras sobre as quais não tem nenhuma influência", disse ele.