Há sinais de pausa na desinflação de serviço e política monetária tem de ser persistente, diz BC

terça-feira, 25 de outubro de 2016 13:03 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central destacou que há sinais recentes de pausa no processo de desinflação de serviços em ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira, adotando um tom mais duro em relação ao processo de corte dos juros básicos e ressaltando que é preciso ter "persistência maior" na sua política.

"Há sinais de uma pausa recente no processo de desinflação dos componentes do IPCA mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária, o que pode sinalizar convergência mais lenta da inflação à meta", trouxe a ata. "Nesse contexto, uma maior persistência inflacionária requer persistência maior da política monetária", acrescentou.

Segundo o BC, essa pausa já considera efeitos sazonais e se dá "em níveis cuja manutenção produziria trajetória de desinflação em velocidade aquém da contemplada no cenário básico do Copom".

"Esse cenário pressupõe uma trajetória de queda gradual à frente. Dessa forma, os membros do Comitê ressaltaram que é necessário monitorar a retomada dessa trajetória", completou o BC.

Na última quarta-feira, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00 por cento ao ano, primeiro corte em quatro anos, avaliando que uma flexibilização moderada e gradual é compatível com a convergência da inflação para a meta de 4,5 por cento pelo IPCA nos próximos dois anos.

Na ata, o BC não fez referência se o comitê chegou a discutir corte de 0,5 ponto percentual na semana passada.

As taxas dos contratos de juros passaram a precificar chances maiores de corte de 0,25 ponto percentual em novembro, contra 0,50 ponto percentual anteriormente.

"O mais provável é que essa queda (da inflação de serviços) não apareça acelerada pelos argumentos que eles usam", avaliou o economista-chefe do Fator, José Francisco de Lima, para quem o BC reduzirá a Selic em 0,25 ponto no mês que vem.   Continuação...

 
Sede do Banco Central, em Brasília.     23/09/2015      REUTERS/Ueslei Marcelino