Novas regras sobre Salmonella na cadeia de aves devem levar a ajustes de custos

terça-feira, 25 de outubro de 2016 14:15 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Novas regras de controle e monitoramento da bactéria Salmonella spp. na cadeia de produção de frangos e perus no Brasil devem levar empresas do setor a realizar ajustes em suas planilhas de custos, conforme buscam se adequar às mudanças, mas a expectativa é de que o impacto seja limitado.

De acordo com o vice-presidente e diretor técnico da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Rui Vargas, serão feitas adequações aos processos que já vêm sendo executadas pelas companhias e com certeza a aplicação dessa instrução traz alguma modificação na planilha de custos.

"Mas não se espera um aumento nos custos de forma geral", afirmou, explicando que as empresas já vinham aplicando medidas visando tal monitoramento e controle, e as mudanças são uma "modernização" do que já vinha sendo cumprido.

A Salmonella spp. é uma bactéria responsável por intoxicações alimentares, sendo um dos principais agentes envolvidos em surtos. A sua presença em alimentos é um relevante problema de saúde pública.

A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério de Agricultura do Brasil, o maior exportador global de carne de frango, divulgou nesta terça-feira instrução normativa para o controle e o monitoramento de Salmonella spp. nos estabelecimentos avícolas comerciais de frangos e perus de corte e nos estabelecimentos de abate de frangos, galinhas, perus de corte e reprodução, registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF).

O objetivo é "reduzir a prevalência desse agente e estabelecer um nível adequado de proteção ao consumidor", diz o texto publicado no Diário Oficial nesta terça-feira. Os estabelecimentos terão 120 dias para se adequarem. Mais detalhes veja aqui: bit.ly/2eHpVdf

Vargas, da ABPA, não espera gargalos na produção em razão das mudanças, reforçando que se trata de uma modernização do que já vinha sendo feito. "Há o período de adequação de 120 dias, e se houver algum entrave, algum problema, o ministério deve se reunir com a iniciativa privada para avaliar", ponderou.

Ele também avalia que pode beneficiar as exportações, mas não necessariamente elevar os volumes ou abrir novos mercados, argumentando que não é por causa dessa questão que o país não estaria exportando para determinados mercados.

"Acredito que isso deve dar uma condição melhor do que se tinha no sentido de qualidade, mas não só para exportação, como para o mercado interno", afirmou.   Continuação...