ANÁLISE-Retomada da importação deve anular contribuição do setor externo no PIB em 2017

quarta-feira, 26 de outubro de 2016 16:49 BRST
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - A contribuição do setor externo deverá ser nula ou até mesmo negativa para o crescimento da economia brasileira no ano que vem diante da expectativa de retomada das importações, revertendo uma tendência vista nos últimos dois anos e que ajudou a amortecer parte da recessão vivida pelo país.

A menor contribuição do setor externo é mais uma notícia ruim que a economia brasileira carrega para 2017, quando já se espera baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

"Num momento de reação muito modesta da demanda doméstica, a menor contribuição do setor externo não é positiva para a economia", afirmou a economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro.

"Se tivéssemos uma contribuição maior do setor externo, especialmente via aumento de exportações, isso poderia ajudar mais a atividade econômica e, consequentemente, o emprego", disse.

Em 2017, o crescimento do PIB estimado pela consultoria de 1,5 por cento terá ajuda de apenas 0,2 ponto porcentual do setor externo e de 1,3 ponto porcentual da demanda doméstica.

Neste ano, na retração do PIB esperada pela Tendências de pouco mais de 3 por cento, o setor externo deve contribuir positivamente com 2,3 ponto porcentual, mas o mercado doméstico, afetado pelo fraco consumo e elevado desemprego, deve anular totalmente esse ganho, com queda de 5,5 ponto porcentual.

Na projeção feita pelo banco Itaú, o avanço esperado de 2 por cento para o PIB em 2017 deverá ser impulsionado somente pela demanda doméstica, com contribuição de 2,5 ponto porcentual. Na contramão, o setor externo deverá varrer parte deste ganho com queda de 0,5 ponto porcentual.

"Com a atividade econômica voltando, deve haver um crescimento das importações, reduzindo o saldo da balança comercial", afirma o economista do banco Itaú Rodrigo Miyamoto.   Continuação...