PF investiga fraudes em ministérios do governo Dilma em nova fase da Acrônimo

quinta-feira, 27 de outubro de 2016 12:14 BRST
 

(Reuters) - A Polícia Federal lançou nesta quinta-feira uma nova fase da operação Acrônimo para investigar suspeita de pagamento de propina na contratação de empresa de publicidade pelos ministérios da Saúde, das Cidades e do Turismo durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff.

De acordo com a PF, serão cumpridos 20 mandados judiciais, sendo dez de busca e apreensão e dez conduções coercitivas, nos Estados de Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, além do Distrito Federal.

"A operação está focada em dois inquéritos policiais que apuram eventos distintos da investigação. Um deles refere-se à cooptação e pagamento de vantagens indevidas para que empresa de publicidade elaborasse campanhas educativas do Ministério da Saúde, Ministério das Cidades e Ministério do Turismo nos anos de 2011 e 2012", disse a polícia em nota.

"O outro evento investigado nesta fase é fraude em licitação da Universidade Federal de Juiz de Fora, vencida pela gráfica de um dos investigados. Posteriormente, o Ministério da Saúde utilizou a mesma ata fraudada", acrescentou.

Segundo uma fonte da PF, um dos alvos na nova fase da Acrônimo é Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, empresário suspeito de ligação com o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), que também é alvo da Acrônimo.

A operação Acrônimo foi deflagrada inicialmente em maio de 2015 para investigar suspeita de desvio de recursos públicos para a campanha de 2014 ao governo de Minas de Pimentel, que foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior de Dilma.

O governador mineiro foi denunciado em maio de 2016 pela Procuradoria-Geral da República por suspeita de conceder benefícios tributários em troca de propina quando era ministro.

(Por Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)

 
Carro da Polícia Federal visto no Rio de Janeiro.      28/07/2015      REUTERS/Sergio Moraes