ATUALIZA-Usiminas vê espaço para novo aumento de preço de aço no Brasil nos próximos meses

sexta-feira, 28 de outubro de 2016 17:28 BRST
 

(Acrescenta bloco com informações sobre disputa de controladores)

SÃO PAULO (Reuters) - A Usiminas avalia que um novo reajuste nos preços do aço vendido no Brasil poderá ocorrer nos próximos dois a três meses, depois de reajustes acumulados neste ano de cerca de 35 por cento, afirmou o diretor comercial da siderúrgica, Sérgio Leite, nesta sexta-feira.

Segundo o executivo, a diferença de preços do aço plano entre o mercado interno e externo (conhecida como prêmio) está entre 8 e 12 por cento depois que a empresa começou a implementar nesta sexta-feira um reajuste no Brasil de 5 por cento.

"A expectativa é que haja um crescimento nos preços internacionais nos próximos meses. Havendo isso, o prêmio volta à faixa de equilíbrio (de 5 a 10 por cento) o que pode abrir espaço para um novo movimento" de aumento de preços no Brasil, disse Leite durante teleconferência com analistas do setor.

Leite comentou que a Usiminas começou recentemente a negociar preços de aço com o setor automotivo, um de seus principais clientes, cujos contratos de um ano começam a vencer no início de janeiro. Questionado sobre a diferença de preços atual entre o cobrado das montadoras de veículos e dos distribuidores, o executivo afirmou que estão defasados em 20 a 30 por cento.

As ações da Usiminas saltavam após os comentários de executivos na teleconferência. Às 17:20, os papéis lideravam as altas do Ibovespa, com valorização de 10,34 por cento, enquanto o índice oscilava com variação negativa de 0,07 por cento.

A Usiminas divulgou mais cedo o nono prejuízo trimestral consecutivo, mas os números mantiveram a trajetória de redução das perdas verificadas nos últimos trimestres e a geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização saltou a 307 milhões de reais ante desempenho negativo de 65 milhões no mesmo período do ano passado.

Analistas da corretora Ativa consideraram o balanço da Usiminas "como o melhor resultado há muito tempo" da empresa, com o desempenho da receita líquida sendo o melhor na comparação anual desde 2014, apesar da queda de 6,6 por cento.

O vice-presidente financeiro da Usiminas, Ronald Seckelmann, afirmou durante a teleconferência que os investidores podem entender que o desempenho operacional da Usiminas no terceiro trimestre pode ser considerado como uma base para os próximos períodos depois da grande reestruturação financeira e estratégica da empresa nos últimos meses.   Continuação...