Setor elétrico teme paralisação de reforma após denúncias contra Temer

quinta-feira, 18 de maio de 2017 11:30 BRT
 

Por Luciano Costa

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As denúncias de corrupção contra o presidente Michel Temer, que agravam a crise política no Brasil, causaram perplexidade entre investidores no setor elétrico, que começava um movimento de recuperação da atratividade de investimentos e ensaiava uma reforma do marco regulatório, que agora pode ficar em suspenso, disseram executivos à Reuters nesta quinta-feira.

Grupos de executivos de companhias e associações de empresários comentavam as últimas notícias sobre o cenário político nos bastidores de um enorme evento do setor elétrico no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, com as conversas sobre o avanço da Lava Jato para o Planalto roubando as atenções das discussões técnicas previstas nos painéis de debate.

O primeiro temor do mercado é quanto à paralisação de um processo de revisão das regras do setor que o governo prepara para ser iniciado por meio de uma Medida Provisória até o final do primeiro semestre, mas há também preocupação com os efeitos da crise política sobre operações em andamento, como ofertas de ações e aquisições em fase de negociação.

"Isso traz uma instabilidade, claro, apesar dos primeiros sinais do Planalto serem de que tudo continua normal. Temos que aguardar. Continuamos querendo mudar o setor elétrico, mas o governo é que vai ter que direcionar, dizer se esperamos um pouco, ou se esquece", disse à Reuters o presidente do Fórum de Associações do Setor Elétrico, Mário Menel, que representa os investidores do segmento.

Um executivo da área de energia de um grande banco disse que o setor elétrico tradicionalmente é um dos mais resilientes a crises no Brasil, mas ressaltou que o cenário político provavelmente deverá congelar diversas operações e discussões em andamento, com impactos inclusive na aprovação e desembolso de financiamentos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O banco de fomento, que tem o setor de energia como um dos principais beneficiários de seus financiamentos, está no centro das investigações contra o frigorífico JBS, cujo presidente presidente do conselho, Joesley Batista, é responsável pelas denúncias de que o presidente Temer teria dado aval ao pagamento pela empresa para que o ex-deputado Eduardo Cunha, agora preso, se mantivesse em sigilo sobre irregularidades.

"Vamos passar um período de novo em que as coisas ficarão paradas, até clarear o horizonte... agora, deve dar uma parada no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), nos IPOs que estão na fila, o mercado de capitais, que vinha se recuperando no setor, as aquisições", disse a fonte do setor financeiro, pedindo para não ser identificada.

"O problema é que estávamos em um momento de reformas, macroeconômicas e no setor. Isso adia esse conserto, que tinha que ser feito", concluiu a fonte.   Continuação...