Dólar futuro e à vista saltam e vão acima de R$3,30 após denúncias contra Temer; BC amplia atuação

quinta-feira, 18 de maio de 2017 12:15 BRT
 

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar futuro disparava nesta quinta-feira, chegando a atingir o limite máximo permitido de 3,4175 reais para este pregão, depois de denúncias envolvendo o presidente Michel Temer que alimentaram percepções de que as reformas serão afetadas e, consequentemente, a recuperação da economia.

Os negócios no mercado à vista demoraram a acontecer, com os investidores evitando tomar posições, e eram poucos nesta sessão. Diante disso, o Banco Central anunciou nova intervenção no mercado, com leilão de swaps tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, e que não eram voltados para rolagem de contratos já existentes.

Às 12:00, o dólar avançava 6,06 por cento, a 3,3237 reais na venda, depois de bater 3,4400 reais na máxima do dia. O dólar futuro subia 5,85 por cento, a 3,3330 reais.

"Depois do pânico inicial, o mercado está aguardando novos desdobramentos. Os leilões do BC aliviaram suavemente as cotações", afirmou o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.

Na noite passada, o jornal O Globo noticiou que Joesley Batista, um dos controladores do frigorífico JBS, gravou Temer concordando com pagamentos para manter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso.

Assim que a notícia chegou ao Congresso, a oposição não perdeu tempo para pedir o impeachment de Temer, enquanto líderes governistas, pegos de surpresa, pediam cautela com a informação, evitando fazer defesas mais taxativas.

Especialistas afirmaram que o governo foi fortemente abalado e, assim, as reformas consideradas essenciais, sobretudo a da Previdência, para recuperar a economia serão afetadas.

Diante da forte turbulência na cena política brasileira --que estava afetando até ativos no exterior, com os Treasuries norte-americanos--, o Tesouro Nacional e o BC publicaram notas afirmando que estavam atentos ao mercado e que atuariam para manter sua plena funcionalidade.   Continuação...

 
Foto ilustrativa mostra notas de dólar dos Estados Unidos ao lado de notas de real. 10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes