Crise política prejudicará retomada econômica, dizem analistas

quinta-feira, 18 de maio de 2017 14:56 BRT
 

Por Luiz Guilherme Gerbelli

SÃO PAULO (Reuters) - A intensa crise que acertou em cheio o governo do presidente Michel Temer vai afetar a recuperação da economia em 2017, afirmaram analistas à Reuters nesta quinta-feira, e já há quem não descarte ainda que o país pode continuar em recessão, o que seria o terceiro ano seguido de contração.

As denúncias envolvendo Temer, acusado de dar aval para a compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha, vão abalar dois pilares considerados fundamentais para a atividade econômica: a confiança de empresários e consumidores e a queda da taxa básica de juros.

"Essa crise não tem como não prejudicar a economia. Este e o próximo trimestre, pelo menos, serão muito afetados e jogarão o crescimento bem para baixo", afirmou o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, para quem, antes das denúncias, a expectativa era que o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano avançaria 1 por cento.

Até a nova crise, os agentes econômicos davam como certo que, em 2017, o Brasil deixaria para trás os dois anos seguidos de recessão, período no qual encolheu mais de 7 por cento. Segundo a mais recente pesquisa Focus do Banco Central, que ouve semanalmente uma centena de economistas, a projeção era de expansão de 0,50 por cento agora e de 2,50 por cento em 2018.

Na avaliação de analistas, a piora do ambiente político deve minar a confiança de empresários e consumidores na economia brasileira, o que prejudica consumo e novos investimentos, além de postergar a conclusão no Congresso Nacional de importantes reformas, como a da Previdência, considerada fundamental para colocar as contas públicas em ordem.

"Há uma incerteza com o que vai acontecer e se as reformas vão ser aprovadas", disse o economista da consultoria GO Associados Luiz Fernando Castelli. "Os indicadores de confiança devem refletir esse cenário", afirma.

Um indício foi dado nesta tarde. O relator da reforma trabalhista no Senado, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), anunciou que o calendário de tramitação da proposta está suspenso devido à crise política.

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