DIs saltam após denúncias envolvendo Temer; mercado vê corte menor da Selic

quinta-feira, 18 de maio de 2017 16:41 BRT
 

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros dispararam nesta quinta-feira e fecharam nos limites máximos de negociação para o pregão, repercutindo a aversão ao risco depois que denúncias atingiram o presidente Michel Temer e com os investidores já apostando que o Banco Central vai desacelerar o ritmo de cortes da Selic agora.

"O mercado agora tem certeza de que a reforma (da Previdência) vai atrasar. É um cenário péssimo, abala a confiança no país e interrompe a caminhada do Brasil de volta ao grau de investimento", afirmou o diretor da corretora Mirae Asset, Pablo Spyer.

Os DIs precificavam cerca de 80 por cento de chances de redução de 0,50 ponto percentual da Selic no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) no final do mês e o restante era de apostas de 0,75 ponto, segundo dados da Reuters Na véspera, a grande maioria das apostas indicava corte de 1,25 ponto agora.

Profissionais ponderaram, entretanto, que devido ao nervosismo do negócios e a paralisia após as taxas terem atingido os limites de máxima, a precificação deve sofrer ajustes.

A Selic está hoje em 11,25 por cento ao ano, após dois cortes de 0,25 ponto cada, dois de 0,75 ponto e um de 1 ponto.

O CDS de 5 anos do Brasil chegou a disparar 68 pontos-base nesta sessão e foi a 274 pontos-base, o maior nível desde janeiro.

Na noite passada, notícias informaram que o empresário Joesley Batista, do frigorífico JBS, gravou o presidente Temer dando aval à compra do silêncio do ex-deputado federal Eduardo Cunha. O temor era de que as reformas, em especial da Previdência, sejam deixadas de lado neste momento de forte turbulência política.

Temer, em pronunciamento poucos minutos antes do fechamento do mercado, afirmou que não vai renunciar ao cargo e que "em nenhum momento" autorizou o pagamento pelo silêncio de alguém.   Continuação...