Dólar tem maior alta desde 1999, a 8,15%, e encosta em R$3,40 após denúncias contra Temer

quinta-feira, 18 de maio de 2017 21:12 BRT
 

Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar encerrou esta quinta-feira com a maior alta em mais de 18 anos, acima de 8 por cento e aproximando-se do patamar de 3,40 reais, depois de denúncias envolvendo o presidente Michel Temer que alimentaram percepções de que as reformas serão afetadas e, consequentemente, a recuperação da economia.

O dólar avançou 8,15 por cento, a 3,3890 reais na venda, maior alta desde o início de 1999, quando houve a maxidesvalorização do câmbio. O salto do dia acabou varrendo a baixa do dólar acumulada no ano até a véspera, de 3,45 por cento.

Na máxima do dia, o dólar foi a 3,4400 reais, mas num pregão que teve como característica o baixo volume por conta dos temores dos investidores.

O dólar futuro subia cerca de 8 por cento, a 3,40 reais no final da tarde, depois de ter atingido mais cedo a máxima para o pregão, a 3,4175 reais.

"Tudo o que está ruim ainda pode piorar, é incerteza absoluta", afirmou o gerente de tesouraria do Bank of China, Jayro Rezende.

O nervosismo pairou desde a abertura, tanto que os investidores evitaram tomar posições e o mercado à vista demorou a ter negócios. Diante disso, o Banco Central fez várias intervenções.

Na noite passada, o jornal O Globo noticiou que Joesley Batista, um dos controladores do frigorífico JBS, gravou Temer concordando com pagamentos para manter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, que está preso.

Assim que a notícia chegou ao Congresso, a oposição não perdeu tempo para pedir o impeachment de Temer. Especialistas afirmaram que o governo foi fortemente abalado e, assim, as reformas consideradas essenciais, sobretudo a da Previdência, para recuperar a economia serão afetadas.   Continuação...

 
Notas de dólares dos Estados Unidos
26/03/2015
REUTERS/Gary Cameron/File Photo