Política monetária não tem relação direta e mecânica com o momento, diz Ilan

quinta-feira, 18 de maio de 2017 20:55 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldjan, afirmou nesta quinta-feira que a política monetária é uma questão à parte dos eventos recentes e que o BC seguirá trabalhando para manter a funcionalidade do mercado de forma serena e firme, usando os instrumentos de que dispõe.

Ao ser questionado se a mensagem anterior do BC sobre o ritmo adequado de cortes na Selic mudava completamente em função do escândalo envolvendo suposta anuência do presidente Michel à compra de silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, Ilan afirmou que a política monetária era uma questão separada.

"A questão que nós estamos atuando hoje não tem uma relação mecânica e direta com a política monetária", afirmou a jornalistas antes de encontro com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

"A política monetária é uma decisão que será tomada nas reuniões ordinárias do Copom (Comitê de Política Monetária) baseada nos objetivos tradicionais do Copom. É diferente", acrescentou.

Em breve fala a jornalistas, Ilan reforçou que a autoridade monetária atuou no mercado em coordenação com o ministério da Fazenda e com o Tesouro Nacional.

"Estamos trabalhando para acalmar os mercados e para atravessar esse período. E é trabalho contínuo, um trabalho sereno, um trabalho firme", acrescentou.

Nesta quinta-feira, as taxas dos contratos futuros de juros dispararam e fecharam nos limites máximos de negociação para o pregão, repercutindo a aversão ao risco e com os investidores já apostando que o Banco Central vai desacelerar o ritmo de cortes da Selic, atualmente em 11,25 por cento ao ano.

Os DIs precificavam cerca de 80 por cento de chances de redução de 0,50 ponto percentual da Selic no encontro do Copom no final do mês. As apostas restantes indicavam uma tesourada de 0,75 ponto, segundo dados da Reuters. Na véspera, a grande maioria das apostas indicava corte de 1,25 ponto.

Ecoando o terremoto político que se instaurou no país, o dólar encerrou acima de 8 por cento, aproximando-se do patamar de 3,40 reais.   Continuação...

 
O presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn, em coletiva de imprensa em Brasília
31/03/2017
REUTERS/Ueslei Marcelino