Após denúncia contra Temer, índice desaba 8,8% e tem 1º circuit breaker em quase 9 anos

quinta-feira, 18 de maio de 2017 19:10 BRT
 

Por Flavia Bohone

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa de valores de São Paulo fechou em queda forte nesta quinta-feira e devolveu a maior parte dos ganhos acumulados no ano, com os negócios chegando a ser interrompidos mais cedo após revelações de que o presidente Michel Temer teria dado aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

O Ibovespa caiu 8,8 por cento, a 61.597 pontos, a maior perda diária desde 22 de outubro de 2008 e no menor patamar para fechamento desde o início de janeiro deste ano. O volume financeiro somou 24,5 bilhões de reais, cerca de três vezes superior à média diária do ano até a véspera, de 8,12 bilhões de reais.

Com as perdas deste pregão, o Ibovespa anulou parte expressiva dos ganhos acumulados no ano até a véspera, que eram de 12,14 por cento, ficando agora com alta de 2,27 por cento. Em 2016, o Ibovespa subiu 38,9 por cento.

O mecanismo de circuit breaker, que não era usado desde 22 de outubro de 2008, foi acionado às 10:21 desta quinta-feira, quando Ibovespa caía 10,47 por cento, a 60.470 pontos, interrompendo os negócios por 30 minutos.

O pânico nos mercados foi disparado após matérias publicadas na noite passada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que informaram que Joesley Batista, um dos controladores do frigorífico JBS, gravou Temer concordando com pagamentos para manter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

A expectativa de operadores é que a bolsa siga com volatilidade intensa nas próximas sessões até que se tenha mais clareza sobre o rumo do governo, após Temer afirmar que não vai renunciar, dizendo que nunca autorizou o pagamento pelo silêncio de alguém.

"Vai depender muito dos desdobramentos, se essa gravação vai aparecer e se vai efetivamente comprometer o Temer e como a base de apoio dele vai se comportar", disse o economista-chefe da corretora Modalmais, Alvaro Bandeira. Ele acrescentou que o apoio popular ao presidente é muito baixo e um rompimento da base pode dificultar a governabilidade.

Diante do cenário, as reformas, principalmente a da Previdência, tem o andamento colocado em xeque e alguns agentes de mercado acreditam que a permanência de Temer no cargo piora as perspectivas para as mudanças.   Continuação...