"Pancada" no juro ataca inflação mas afeta PIB, diz Bernardo
Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO (Reuters) - O aumento mais forte da taxa de juro pode ser uma estratégia do Banco Central para encurtar o processo de aperto monetário, mas comprometerá o ritmo de crescimento da economia em 2009, avaliou nesta quinta-feira o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo.
"(O BC) deve ter avaliado que uma pancada mais forte pode encurtar o tempo de luta contra a inflação", afirmou o ministro durante evento no Rio de Janeiro.
"Mas essa política (de juro) vai afetar o crescimento do ano que vem."
Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa básica de juro em 0,75 ponto percentual, para 13,0 por cento ao ano, surpreendendo parte do mercado que aguardava uma alta mais branda.
Nas reuniões de abril e junho, o Copom elevou a Selic em 0,50 ponto, dando início à operação para colocar os preços de volta à trajetória das metas definidas pelo governo.
No início do mês, o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que faria de tudo para trazer a inflação de volta ao centro da meta já em 2009.
"A reunião do Copom ontem deu sinal claro de que o governo, principalmente o Banco Central, não está para brincadeira com a inflação", acrescentou Bernardo.
A meta de inflação perseguida pelo BC em 2008, 2009 e 2010 é de 4,5 por cento, com margem de variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Continuação...

