Contra desgaste político, governo deve reajustar funcionalismo
Por Isabel Versiani
BRASÍLIA (Reuters) - A equipe econômica está decidida a manter o reajuste do funcionalismo público previsto para ocorrer em julho e entende que o aumento não exigirá mais cortes substanciais imediatos do Orçamento de 2009, afirmaram à Reuters fontes próximas às discussões.
"A questão da folha está decidida, o aumento será dado", disse uma fonte do governo.
O aumento, extensivo a várias categorias de servidores, está prometido desde 2008, quando foi acordado um reajuste salarial escalonado em três anos. O impacto do aumento deste ano sobre a folha é de 6 bilhões de reais.
Diante da queda da arrecadação no ano, como consequência da crise econômica global, o governo cogitou adiar o aumento. Mas a ideia perdeu força com a avaliação de que o custo político da iniciativa não compensaria.
Entre as categorias beneficiadas estão a de auditores da Receita Federal e Banco Central, que já promoveram longas greves nos anos recentes, com desgaste político e alguns prejuízos tangíveis para o governo.
A junta orçamentária, formada pelos ministros da Fazenda, do Planejamento e da Casa Civil, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se reunirá na sexta-feira para bater o martelo em torno do esboço geral da reprogramação de despesas e receitas para o ano, que tem de ser concluída até o dia 20.
Nessas contas, além do aumento previsto da despesa com pessoal, o governo também terá de levar em conta queda das receitas.
O ministro Paulo Bernardo (Planejamento) já afirmou que a arrecadação tributária de maio ficou 3 bilhões de reais abaixo do previsto. Ainda que as receitas tenham melhorado em junho, esta semana o governo anunciou medidas de desoneração do setor produtivo que implicam em renúncia fiscal de 3,3 bilhões de reais para 2009. Continuação...

