PÓS-CRISE?-Trabalhadores já pensam em greve por salário maior
Por Alberto Alerigi Jr.
SÃO PAULO (Reuters) - Após lutarem pela manutenção de empregos e aceitarem cortes temporários de salários nos primeiros meses do ano, trabalhadores de alguns setores ameaçam greve enquanto negociam aumento dos salários, à medida que a economia melhora e o fantasma do desemprego em massa vai ficando para trás.
Categorias como a dos metalúrgicos já promovem as primeiras greves desde o agravamento da crise global, há um ano, em um momento em que as vendas de carros no Brasil estão acima dos níveis de 2008 e em que siderúrgicas religam auto-fornos incentivadas por aumento da demanda por aço.
"O cenário está melhor para nós agora. O clima está mais positivo. No primeiro semestre, os acordos (trabalhistas) que foram feitos duraram três, quatro meses", afirmou à Reuters o secretário-geral da central Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.
"Naquele momento, a lógica era evitar a demissão que poderia permitir a empresa recontratar os funcionários após a crise com um salário menor", disse. "A tendência agora nas negociações salariais é aproveitar a melhora da economia."
A Força Sindical defendeu no primeiro semestre acordos de manutenção de emprego mediante redução de jornada e salários, mas a pauta agora é cobrar do empresariado e do Congresso Nacional diminuição na jornada semanal de 44 para 40 horas sem que se altere a remuneração dos trabalhadores.
Entre o final de 2008 e início deste ano, grandes exportadoras anunciaram redução de pessoal --como a demissão de cerca de 2 mil funcionários da Vale e o corte de 4,2 mil empregados na Embraer.
Cerca de 7 mil funcionários de fábricas de motores da Weg em Jaraguá do Sul e Guaramirim, em Santa Catarina, aceitaram no final de março redução da jornada em 25 por cento e dos salários em 20 por cento.
Em 21 de maio, contudo, o acordo entre Weg e funcionários foi cancelado em virtude da melhora das condições econômicas, diante de medidas de incentivo do governo, como a redução do IPI sobre eletrodomésticos. Continuação...

