Crédito cresce 19% em 2011 e supera expectativa do BC
Por Tiago Pariz
BRASÍLIA, 26 Jan (Reuters) - O estoque de crédito cresceu acima do esperado pelo Banco Central no ano passado com um cenário de queda na taxa de juros e estímulos ao consumo, movimento que pode perder força mas continuará robusto em 2012. Mesmo assim, a autoridade monetária não vê riscos inflacionários daqui para frente.
"O crédito vem crescendo de maneira mais forte nos últimos anos. Com uma base maior, é de se esperar uma moderação nesse momento", afirmou nesta sexta-feira o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. "E isso mesmo com a perspectiva de inadimplência melhor em 2012 e de queda na taxa de juros", emendou.
Em 2011, o estoque total de crédito no país cresceu 19 por cento segundo o BC, ultrapassando a barreira dos 2 trilhões de reais e acima da previsão de 17,5 por cento para o período. Para este ano, Maciel reafirmou que a expansão do estoque ficará em 15 por cento, atingindo 51 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).
"O crédito evolui dentro de um cenário esperado, mesmo acima do previsto e sem risco inflação", argumentou Maciel.
No mês passado, a expansão do estoque ficou em 2,3 por cento, chegando a 49,1 por cento do PIB, ou 2,030 trilhões de reais. Em 2010, o volume total de crédito havia crescido 20,6 por cento.
O técnico do BC argumentou que o crescimento do crédito para pessoa física mostra que a expansão de 2011 não é inflacionária porque vem perdendo força. Ele citou como exemplo os empréstimos para aquisição de automóveis, cujo volume cresceu 49 por cento em 2010, bem maior do que os 23 por cento vistos no ano passado. Outra indicação seria o crédito consignado, que apresentou alta de 36,4 por cento em 2010 e, agora, de 16,5 por cento.
O crédito continua mostrando força justamente num momento em que o BC vem adotando a estratégia de afrouxamento da política monetária, com reduções da Selic -hoje a 10,50 por cento ao ano- para evitar um desaquecimento da economia. E já deu indicações claras de que pretende levar a taxa básica de juros do país a um dígito em breve por meio da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta semana.
No começo do ano passado, o presidente do BC, Alexandre Tombini, havia dito que um crescimento acima de 15 por cento no crédito não era compatível com o momento da economia por ser inflacionário. Continuação...

