15 de Fevereiro de 2012 / às 17:18 / 6 anos atrás

No Brasil, Google facilita ascensão do Facebook à liderança

Foto ilustrativa mostra a tela inicial do website Facebook. A popularidade do Facebook no Brasil disparou ao longo dos últimos 12 meses, e a companhia deve esse avanço ao seu maior concorrente, o Google. Foto de arquivo. 02/02/2012Michael Dalder

Por Asher Levine

SÃO PAULO, 15 Fev (Reuters) - A popularidade do Facebook no Brasil disparou ao longo dos últimos 12 meses, e a companhia deve esse avanço ao seu maior concorrente.

Na documentação que apresentou recentemente para sua Oferta Pública Inicial (IPO, em inglês), o Facebook informou que seu número de usuários ativos no Brasil havia praticamente triplicado em 2011, o que por fim o levou a superar o serviço de redes sociais Orkut, do Google, e fez dele o líder do segmento no país.

"Não consigo lembrar de outro exemplo de crescimento tão rápido para o Facebook", disse o vice-presidente de análise setorial no grupo de pesquisa comScore, Andrew Lipsman. "Foi uma verdadeira decolagem".

No Brasil, o país de origem do co-fundador da rede social Eduardo Saverin, o Facebook encontrou um mercado pronto para o crescimento, com rápida expansão no acesso à Internet, aumento no número de computadores e demanda ávida por mídia social.

Boa parte do crédito por isso cabe ao Google, segundo analistas. Embora o crescimento da economia e o crédito mais fácil é que tenham permitido aos brasileiros adquirir computadores e conexões de banda larga, o Orkut, do Google, é que os motivou a fazê-lo.

"Até que o Orkut surgisse, em 2004, o uso da Internet no Brasil estava estagnado", disse o analista José Calazans, do grupo de pesquisa de mercado Ibope Nielsen, em São Paulo. "Quando as pessoas começaram a comprar computadores e a visitar cibercafés, era especificamente para acessar o Orkut. Agora, muitas dessas pessoas se transferiram ao Facebook."

O Orkut deu aos brasileiros seu primeiro gostinho de mídia social, com uma interface simples e a opção de acesso em português que o tornava mais fácil de usar do que sites concorrentes, como o Friendster e o MySpace. Em uma cultura altamente social, como a do Brasil, onde até mesmo reuniões de negócios terminam em abraços, o site se tornou fenômeno nacional.

"Todo mundo estava no Orkut", recorda a professora Raquel Recuero, da Universidade Católica de Pelotas, e especialista em mídias sociais. "Os usuários adicionavam pessoas que nem conheciam, e as pessoas concorriam para ter as maiores listas de amigos."

A ascensão do Orkut coincidiu com um boom econômico que tirou milhões de brasileiros da pobreza, dando a muitos deles acesso a computadores e à Internet pela primeira vez. Isso tanto beneficiou quanto prejudicou o Orkut, ao expandir sua base de usuários porém alienar os adeptos iniciais do serviço, mais afluentes.

"Depois que as classes baixas começaram a aderir, surgiu um choque de cultura no Orkut, amplificado pela mídia", disse Raquel. "Por exemplo, havia reportagens sobre criminosos que usavam o Orkut para encontrar vítimas. As pessoas começaram a reconsiderar seu uso do site e a prestar atenção a conceitos como privacidade online."

O fato de que o Orkut não tenha se inovado de acordo com as expectativas dos usuários criou uma oportunidade para o Facebook, que chegou oferecendo novos aplicativos e jogos, bem como a capacidade de conexão com pessoas de fora do Brasil.

Com o tempo, os brasileiros passaram a ver no Facebook a chance de recomeçar do zero suas vidas online, o que ajudou em sua adoção acelerada.

O Orkut ainda mantém um market share relevante nas mídias sociais no Brasil, com mais de 34 milhões de usuários que se comparam aos 36 milhões do Facebook no país, de acordo com a comScore.

O Facebook irá tentar manter a relevância no Brasil, país que classifica como "fonte chave de crescimento" no prospecto do IPO.

Segundo a Ibope Nielsen, mais de 85 por cento dos usuários ativos de Internet no Brasil utilizam sites de redes sociais, acima dos 74 por cento nos Estados Unidos e dos 77 por cento no Japão.

Os brasileiros também gastam mais tempo nesses sites, com média de quase oito horas e meia neles por mês, contra seis horas e meia nos EUA e pouco mais de quatro horas no Japão mensalmente.

Reportagem adicional de Walter Brandimarte, em Nova York

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