Camargo Corrêa conclui aquisição da Cimpor, avança no Brasil
LISBOA/SÃO PAULO, 20 Jun (Reuters) - A Camargo Corrêa anunciou nesta quarta-feira a conclusão de sua oferta de aquisição da cimenteira portuguesa Cimpor, num investimento total de quase 3 bilhões de euros que lhe dará controle sobre a quarta maior produtora de cimento do Brasil.
O grupo brasileiro, por meio da unidade InterCement, investiu 1,5 bilhão de euros na oferta, que lhe garantirá 94,81 por cento de participação na Cimpor, depois que desembolsou 1,44 bilhão de euros em 2010 para ingressar no capital da cimenteira portuguesa.
Com a aquisição, a InterCement pulará da terceira para segunda posição no ranking de produtores de cimento do Brasil, dobrando sua produção para cerca de 11,4 milhões de toneladas, segundo dados mais recentes da associação que representa o setor, Snic.
A liderança é ocupada pelo grupo Votorantim, com produção de 22,4 milhões de toneladas no país, que trocará sua participação na Cimpor por ativos internacionais da cimenteira portuguesa na Ásia, África e em alguns mercados sul-americanos.
Com a troca de ativos, a Votorantim ampliará também a sua atuação internacional. O grupo já detém fábricas de cimento no Canadá e Estados Unidos, e participações na Bolívia, Chile, Argentina, Uruguai e Peru.
Na oferta pública de aquisição (OPA), a Camargo Corrêa pagou 5,50 euros por ação, preço inferior aos 6,5 euros oferecidos pela Companhia Siderúrgica Nacional em 2010. O grupo já era o maior acionista da Cimpor, com uma participação de 32,9 por cento, e comprou um lote adicional de 40,6 por cento. A Votorantim detém outros 21,2 por cento da Cimpor.
Segundo a Camargo Corrêa, a participação da Votorantim será definitivamente transferida para a Camargo assim que duas complexas trocas de ativos entre os grupos estiverem concluídas.
A Camargo Corrêa vai integrar suas operações angolanas e sul-americanas, que incluem Brasil e Argentina, na Cimpor. A partir daí, a Votorantim terá oportunidade de adquirir as operações da Cimpor na China, Índia, Turquia, Marrocos, Tunísia, Peru e parte dos negócios da portuguesa na Espanha a um preço definido por auditores independentes. A operação também envolve parcela equivalente a 21,21 por cento da dívida líquida da Cimpor.
A oferta de 5,5 euros por ação da Cimpor foi aceita pelo banco estatal português CGD, pelo investidor Manuel Fino e pelo fundo de pensão do grupo Millennium BCP. Continuação...

