Venda no varejo cai 0,8% em maio,pior em 3 anos e meio--IBGE

quarta-feira, 11 de julho de 2012 13:59 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 11 Jul (Reuters) - As vendas no varejo brasileiro surpreenderam em maio ao recuar 0,8 por cento frente a abril, maior queda desde novembro de 2008 (-1,3 por cento), indicando que a economia brasileira continua patinando e que mais cortes de juros podem vir. Comparado com um ano antes, as vendas cresceram 8,2 por cento em maio, abaixo do esperado pelo mercado.

Analistas ouvidos pela Reuters previam que as vendas cresceriam 0,6 por cento em maio sobre abril e 10,50 por cento sobre um ano antes. As contas mensais variaram de queda de 0,30 por cento e alta de 1 por cento, enquanto que as anuais, de expansão de 8,80 a 11,20 por cento.

"O comércio está convergindo para o ritmo real da economia... A fórmula aplicada em 2008 para enfrentar a outra crise não está dando o mesmo resultado", declarou a jornalistas o economista do IBGE Reinaldo Pereira. "Agora, há uma componente importante que é o endividamento das famílias. O consumidor não está respondendo ao estímulo do governo", adicionou.

Segundo o IBGE, três das oito atividades pesquisadas tiveram resultados negativos na comparação mensal. O principal destaque foi o segmento de móveis e eletrodomésticos, com queda de 3,1 por cento em maio, depois de ter expandido 1,5 por cento em abril.

Sobre um ano antes, houve alta de 9,3 por cento em maio e, segundo o IBGE, "reflete a política de incentivo do governo ao consumo através da redução de alíquotas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para a chamada linha branca, além da manutenção do crédito, da estabilidade do emprego e do crescimento da renda".

Em maio, também houve retração nas vendas nos segmentos de combustíveis e lubrificantes (-0,8 por cento) e de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,2 por cento).

Na ponta oposta, houve crescimento em maio sobre abril nas atividades de equipamento e material para escritório, informática e comunicação (+3,5 por cento), de livros, jornais, revistas e papelaria (+1,6 por cento), entre outros.

O segmento de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registrou alta de 0,1 por cento nas vendas em maio, depois da retração de 0,7 por cento vista em abril. Somente hipermercados e supermercados, no entanto, continuaram mostrando queda nas vendas, apesar de em menor ritmo, passando de -0,7 para -0,2 por cento no período.   Continuação...

 
Consumidoras olham para eletrodomésticos em loja do Rio de Janeiro. As vendas no varejo brasileiro surpreenderam em maio ao recuar 0,8 por cento frente a abril, maior queda desde novembro de 2008 (-1,3 por cento), indicando que a economia brasileira continua patinando e que mais cortes de juros podem vir. 18/08/2011 REUTERS/Ricardo Moraes