ENTREVISTA-Ativos mais caros no Brasil vieram para ficar, diz 3i
Por Alúisio Alves e Guillermo Parra-Bernal
SÃO PAULO, 16 Jul (Reuters) - Não adianta reclamar: a indústria de private equity terá que se acostumar à realidade de ativos mais caros no Brasil se quiser fazer bons negócios, embora o país possa ser mais atrativo até do que a China, segundo um experiente executivo do setor.
"A mudança no perfil de risco do Brasil justifica ativos mais caros", disse à Reuters nesta segunda-feira o diretor-gerente do grupo britânico 3i no Brasil, Marcelo Di Lorenzo. "A realidade de pagar quatro vezes o Ebitda num negócio acabou."
Segundo ele, esse é o reflexo da gradual estabilização macroeconômica do país, com o juro básico convergindo para padrões internacionais.
Gestores de fundos que compram participações em empresas, que levantaram mais de 6 bilhões de dólares no ano passado para investimentos no Brasil, têm adiado o fechamento de negócios, reclamando de preços elevados provocados pela concorrência com os chamados investidores estratégicos.
A compra e venda de participações em empresas do Brasil movimentou 44,7 bilhões de dólares no primeiro semestre, um aumento de 7,1 por cento ante o mesmo período de 2011, segundo dados da Thomson Reuters.
Para Di Lorenzo, porém, a competição por aqui é menor do que em outros mercados de crescimento, como os de China e Índia, onde a 3i, com um portfólio de 18 bilhões de dólares aplicados em 120 empresas de três continentes, está tirando o pé.
"No mercado chinês, para cada negócio tem em média 4 fundos interessados", disse.
E, embora a economia brasileira esteja num ritmo de expansão bastante inferior --a projeção do mercado para o Produto Interno Bruto (PIB) doméstico deste ano é de menos de 2 por cento de alta, enquanto a China avança num ritmo de 7 a 8 por cento--, o país tem oportunidades em setores em que o capital possa ser triplicado num prazo de cinco anos. Continuação...

