Lagarde pede "margem fiscal" à América Latina

domingo, 7 de outubro de 2012 13:54 BRT
 

SANTIAGO, 7 Out (Reuters) - A América Latina continuará crescendo, mas a um ritmo mais lento por causa da desaceleração global, e, por isso, deve assegurar suficiente margem fiscal caso o cenário externo piore, disse a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, ao jornal chileno El Mercurio.

A chefe do FMI, que nos próximos dias deve anunciar reduções nos prognósticos para o crescimento global, afirmou na entrevista publicada neste domingo que os países latino-americanos avançam a um bom ritmo, mas que a região não deve se esquecer de que está fortemente conectada ao resto do mundo.

"Os países latino-americanos estão seguindo num ritmo bom e foram parte dos motores do crescimento. E vão seguir sendo, mas a um ritmo mais lento, porque há uma desaceleração global", disse Lagarde. "Assim, o imperativo é assegurar suficiente margem fiscal para atuar no caso de as coisas piorarem."

Nesta semana, o Banco Mundial reduziu para 3 por cento a sua estimativa de crescimento para a América Latina em 2012. O cálculo prévio do banco era de 3,5 a 4 por cento.

Lagarde ressaltou que ninguém é imune à situação atual de incerteza, independentemente de ser países fornecedores de matérias-primas ou maquinaria ou da cadeia produtiva.

A América Latina segue muito dependente das exportações e vulnerável a uma queda da demanda global, especialmente de um parceiro comercial importante como a China.

Uma desaceleração chinesa poderia ter efeitos graves em países como Brasil, Argentina, Chile e Peru.

Lagarde, no entanto, se mostrou mais otimista sobre como a China tem enfrentado o panorama atual.

"O que estamos vendo das autoridades chinesas em termos de estímulo, sobre como estão focando no crescimento dos motores internos, em lugar da estrutura exportadora, nos conforta em termos de que vemos um crescimento reduzido, mas não uma desaceleração rápida."

(Reportagem de Antonio De la Jara)

 
Chefe do FMI, Christine Lagarde, é vista nesta foto de setembro de 2012 durante palestra no Instituto de Economia Internacional, em Washington, nos EUA. A América Latina continuará crescendo, mas a um ritmo mais lento por causa da desaceleração global, e, por isso, deve assegurar suficiente margem fiscal caso o cenário externo piore, disse Lagarde ao jornal chileno El Mercurio. 24/09/2012 REUTERS/Jonathan Ernst