Wall Street terá de recriar laços com Obama após apoio a Romney

quarta-feira, 7 de novembro de 2012 10:33 BRST
 

7 Nov (Reuters) - Instituições financeiras de Wall Street apostaram em Mitt Romney e perderam. Agora enfrentam a perspectiva de regulamentações ainda mais duras sobre seus negócios no segundo mandato do presidente norte-americano, Barack Obama, e terão de formar relações melhores com os novos reguladores do setor que serão indicados por ele.

Obama perdeu apoio de muitos bancos após a crise financeira de 2008 e a aprovação da lei de reforma do setor financeiro Dodd-Frank em 2010, que teve como objetivo apoiar o sistema financeiro, mas custou às instituições bilhões de dólares em lucros anuais.

O presidente democrata tem abertamente afirmado seu desprezo por "banqueiros poderosos" que "não se tocaram". Executivos do setor financeiro temem mais perdas se não puderem ter influência sobre como as regras da legislação Dodd-Frank serão implementadas.

"Ele vai continuar a aumentar a regulamentação, demonizar e vilificar os negócios e gastar um monte de dinheiro, taxar pessoas e por aí em diante", disse Dick Kovacevich, ex-presidente do banco Wells Fargo e simpatizante do republicano Romney.

As empresas de Wall Street também expressam preocupação sobre Elizabeth Warren, cuja vitória na corrida pelo Senado em Massachusetts pode ajudá-la a aumentar a pressão por mais regras sobre financiamentos voltadas para proteção dos consumidores. Warren teve participação importante na criação da Agência de Proteção Financeira do Consumidor. Críticos afirmam que o novo órgão vai pesar sobre a economia com novas regras.

"Acredito que a vitória de Obama, com Elizabeth Warren, vai levar a mais responsabilidade e regras mais estritas em Wall Street", disse Chris Tobe, que assessora planos de aposentadoria na posição de diretor da Stable Value Consultants. "Especialmente depois do grande apoio de Wall Street a Romney, acredito que Obama está menos inclinado a conter a regulamentação neste mandato".

Pessoas que trabalham no setor financeiro e de investimentos dos Estados Unidos doaram 20 milhões de dólares para a campanha da Romney, ante 6 milhões de dólares para Obama, segundo o Centro para Responsabilidade Política. Quatro anos atrás, Obama recebeu 16 milhões de dólares e o republicano John McCain apenas 9 milhões.

"Eu votei em Obama em 2008, mas obviamente acreditava que Romney seria mais capaz para lidar com os problemas que estamos enfrentando", disse Scott Sperling, co-presidente da empresa de private equity Thomas H. Lee Partners. "Cabe a nós trabalhar com o governo de maneira produtiva para lidarmos com estas questões."

(Por Sarah N. Lynch, Emily Stephenson e Rick Rothacker)

 
Instituições financeiras que apoiaram Mitt Romney nas eleições enfrentam perspectiva de regulamentações mais duras sobre seus negócios após a reeleição de Barack Obama. 05/11/2012 REUTERS/Chip East