13 de Novembro de 2012 / às 00:37 / 5 anos atrás

Grécia ganha mais tempo, mas não ajuda financeira imediata

O ministro das Finanças belga, Steven Vanackere (esquerda), cumprimenta o ministro das Finanças grego, Yannis Stournaras (direita), em reunião do Eurogroup em Bruxelas, na Bélgica. 12/11/2012 REUTERS/Yves Herman

Por Jan Strupczewski e Annika Breidthardt

BRUXELAS, 12 Nov (Reuters) - Os credores internacionais da Grécia concordaram nesta segunda-feira em dar ao país mais dois anos para que realize os cortes de gastos exigidos, mas a zona do euro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) discordaram sobre as metas a longo prazo para reduzir a dívida grega.

Os ministros de Finanças da zona do euro reunidos em Bruxelas não desembolsaram mais ajuda ao país endividado, mas, ao concordar em dar mais tempo para a Grécia cumprir as suas metas, enfrentam um custo adicional de financiamento de cerca de 33 bilhões de euros, segundo documentos preparados para a reunião.

“O Eurogroup conclui que as metas fiscais revisadas, como solicitadas pelo governo grego e apoiadas pela troika, seriam um ajuste apropriado no caminho para a consolidação fiscal”, disse o presidente dos ministros de Finanças da zona do euro, Jean-Claude Juncker, em entrevista coletiva após quase seis horas de negociações.

Juncker disse que a próxima reunião do Eurogroup deverá acontecer em 20 de novembro, enquanto funcionários disseram que mais negociações poderão ser necessárias na semana seguinte para concluir um novo acordo.

Apesar de a Grécia ter aprovado um difícil orçamento para 2013 na semana passada, que o país espera que tenha atendido às condições para a liberação de uma parcela de 31,5 bilhões de euros em empréstimos de emergência, os credores ainda precisam concordar em como tornar as suas dívidas sustentáveis na próxima década.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, disse que mais trabalhos eram necessários para consolidar as medidas orçamentárias.

“Isso ... (lei orçamentária) claramente precisa ser revista um pouco, para se certificar de que todas as ações prévias contidas naquela lei do orçamento sejam efetivamente tomadas”, disse ela na mesma entrevista coletiva. “Haverá algumas, apenas algumas outras condições adicionais antes de as medidas serem verificadas nos próximos dias.”

Um relatório preparado pela troika --Comissão Europeia, FMI e Banco Central Europeu-- calculou que dar à Grécia mais dois anos para cumprir suas metas faria com que o país precisasse de um financiamento extra de 32,6 bilhões de euros até 2015/16.

Discussões sobre como fechar essa lacuna será prioridade na agenda dos ministros no próximo encontro.

Uma meta foi estabelecida em março para a Grécia alcançar um superávit primário de 4,5 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. Agora, esse prazo será transferido para 2016.

Lagarde também afirmou que o FMI não estava de acordo com Juncker, que disse que a meta de reduzir as dívidas da Grécia para 120 por cento do PIB até 2020, de cerca de 190 por cento no próximo ano, deveria ser igualmente adiada em dois anos.

“Na nossa visão o calendário adequado é de 120 por cento em 2020”, disse Lagarde. “Nós claramente temos pontos de vista diferentes. O que importa no fim do dia é a sustentabilidade da dívida grega, de modo que país possa voltar a ficar em pé.”

O FMI estabeleceu 120 por cento como meta, dizendo que qualquer coisa muito acima disso não será sustentável dado às reduzidas perspectivas de crescimento da Grécia e aos elevados requisitos para o financiamento externo.

Os credores da Grécia não vão liberar mais dinheiro até que uma “análise de sustentabilidade da dívida” da troika exponha como alcançar esse objetivo. Essa análise deverá ser discutida com mais detalhes na reunião de 20 de novembro.

Empréstimos têm sido adiados desde que Atenas, que recebeu dois pacotes de resgate da zona do euro e do FMI, não conseguiu ir adiante com as reformas e cortes orçamentários prometidos, em parte como resultado da realização de duas eleições no espaço de três meses, no início deste ano.

O FMI tem pressionado os governos a amortizar alguns de seus empréstimos oficiais para a Grécia, mas a Alemanha, a Comissão Europeia e outros dizem que isso não é legalmente possível.

“Todas as vias a fim de reduzir a dívida da Grécia estão sendo exploradas e continuarão sendo exploradas nos próximos dias”, disse Lagarde.

Reportagem adicional de Lefteris Papadimas, Deepa Babington e Harry Papachristou, em Atenas; de Matthias Sobolewski, em Berlim; de Luke Baker, Daniel Flynn, John O'Donnell e Robin Emmott, em Bruxelas

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