November 14, 2012 / 8:04 PM / 5 years ago

Ex-conselheiro diz que governo tem destruído valor da Eletrobras

3 Min, DE LEITURA

Por Leonardo Goy

BRASÍLIA, 14 Nov (Reuters) - O ex-conselheiro da Eletrobras José Luiz Alquéres afirmou que medidas do governo têm destruído "brutalmente valor" da companhia, por não considerarem aspectos da realidade de mercado, segundo carta de demissão obtida pela Reuters.

Em documento entregue na terça-feira por ocasião de sua renúncia ao cargo no Conselho de Administração da estatal federal, Alquéres --que já presidiu a Eletrobras-- afirmou estar deixando a posição por conflito de interesse, já que desempenha trabalhos de consultoria e aconselhamento para empresas do setor elétrico.

Alquéres representava os interesses dos acionistas minoritários no Conselho da Eletrobras.

O pedido de renúncia foi feito na mesma reunião em que o Conselho da Eletrobras aceitou recomendação da diretoria da empresa, com base em parecer técnico, de indicar a seus acionistas que aprovem a renovação antecipada e condicionada de concessões elétricas que venceriam de 2015 a 2017.

A Eletrobras é a empresa do setor mais afetada pela medida provisória 579, que trada da renovação das concessões. O governo federal ofereceu indenização de 14 bilhões de reais ao grupo por ativos não amortizados, dentro do processo, mas o valor é menos da metade dos cerca de 30 bilhões de reais nos registros contábeis da companhia.

"O momento de mais uma reforma institucional que o setor está entrando com a vigência da recentíssima MP 579 ampliou sobremaneira a possibilidade de conflito entre a minha atuação como conselheiro da Eletrobras e minhas demais atividades", afirmou Alquéres ao Conselho.

Na carta, o ex-conselheiro também menciona sua posição em defesa da privatização imediata das distribuidoras federalizadas, "o que poderia mesmo trazer desconforto político ao nosso acionista majoritário", que é o governo federal.

Em 11 de outubro, duas fontes disseram à Reuters que a Eletrobras estava estudando a possibilidade de vender suas seis distribuidoras de energia integralmente ou parcialmente. As subsidiárias --que atuam no Piauí, Rondônia, Acre, Amazonas, Alagoas e Roraima-- acumulam prejuízos seguidamente.

Procurada, a Eletrobras confirmou o teor da carta do ex-conselheiro e disse que não comentaria o assunto.

Além da indenização por investimentos não depreciados abaixo do pleiteado pela companhia, a Eletrobras terá que aceitar receitas em geração e transmissão ao redor de 70 por cento menores às praticadas atualmente se renovar as concessões. Nesse cenário, a companhia poderá ter geração de caixa negativa, segundo a agência de classificação de risco Fitch.

A renovação antecipada e condicionada das concessões é parte importante do plano do governo para reduzir a conta de luz em 2013 em 20 por cento, em média, para elevar a competitividade brasileira e estimular a economia.

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