21 de Novembro de 2012 / às 20:24 / 5 anos atrás

Ação preferencial da Eletrobras tem pior queda da história

Por Danielle Assalve

SÃO PAULO, 21 Nov (Reuters) - As ações preferenciais da Eletrobras desabaram 20 por cento na Bovespa e amargaram a pior queda diária de sua história nesta quarta-feira, com investidores assustados com os impactos que a provável renovação antecipada de concessões elétricas terá sobre a estatal.

“Será um efeito devastador”, resumiu o analista Alexandre Furtado Montes, da Lopes Filho & Associados.

“Mesmo antes da MP 579, todos os indicadores da Eletrobras já eram piores que o de empresas privadas do setor. Agora tudo indica que ela terá fluxo de caixa negativo nos próximos anos”, acrescentou, referindo-se à medida provisória sobre a renovação antecipada e condicionada de concessões elétricas que venceriam de 2015 a 2017.

Pelo cálculo apresentado pela Eletrobras ao mercado na última sexta-feira, a renovação antecipada das concessões nos moldes estipulados pelo governo federal implicará no reconhecimento de perda de ativo de 17,8 bilhões de reais e em receita 8,7 bilhões de reais menor por ano.

Mas a companhia admite que o impacto da renovação pode ser ainda pior. “Podemos ter perdas maiores do que as consideradas até agora”, disse o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Eletrobras, Armando Casado de Araújo, em teleconferência com analistas na segunda-feira.

Apesar dos impactos negativos, o mercado considera praticamente certo que a companhia aceitará as condições impostas pelo governo --seu principal acionista-- para renovar as concessões.

A diretoria da Eletrobras recomendou aos acionistas na última semana que aprovem a renovação das concessões. A decisão final será tomada em 3 de dezembro, quando será realizada assembleia para deliberar sobre o tema.

Nesta quarta-feira, a ação preferencial de classe B da Eletrobras tombou 20,08 por cento, a 7,84 reais. Foi a maior queda diária da história do papel, para o menor preço desde agosto de 2003. Com isso, o papel acumulou baixa de 43,2 por cento em quatro pregões.

Já as ações ordinárias afundaram 15,7 por cento, a 6,75 reais --foi a maior baixa diária de fechamento desde outubro de 1997, para a menor cotação desde setembro de 2003.

Nesta quarta-feira, o índice referencial do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa, fechou em queda de 0,37 por cento.

“É plenamente justificada essa queda das ações da Eletrobras”, disse o analista da Lopes Filho & Associados. “A situação da Eletrobras é de falência, se fosse uma empresa privada ela iria à falência com uma perda de receita gigantesca feito essa.”

Montes citou que a indenização proposta pelo governo por ativos não amortizados do grupo Eletrobras, no valor de 14 bilhões de reais, pode dar algum fôlego para a companhia, mas não resolverá a situação delicada da estatal. O montante por si só foi outro duro golpe para Eletrobras, que pedia ressarcimento de 30 bilhões de reais.

Em relatório publicado no domingo sobre Eletrobras, analistas do Itaú BBA escreveram que “qualquer decisão relacionada à renovação ou não-renovação de suas concessões inevitavelmente levará a uma capitalização num valor total que poderia ser tão alto quanto 20 bilhões de reais”.

Nesse cenário, o Itaú BBA reduziu o preço-alvo para as ações da Eletrobras no fim de 2013 para 8 reais, de uma estimativa anterior de 17,50 reais para as ações preferenciais e de 13,00 reais para as ordinárias, mantendo a recomendação “underperform” (desempenho abaixo da média do mercado).

Analistas do Barclays mostraram pessimismo ainda maior na segunda-feira --cortaram para 1 real seu preço-alvo para ambas as classes de ações da Eletrobras.

Desde meados de setembro, quando a presidente Dilma Rousseff anunciou um plano para reduzir as tarifas de energia no próximo ano em 20 por cento, na média, a preferencial da Eletrobras já despencou 58 por cento e a ordinária afundou 45 por cento.

DIVIDENDOS

Também durante a teleconferência com analistas na segunda-feira, o diretor financeiro da Eletrobras disse que a companhia não vai remunerar os acionistas preferencialistas em 2012 se a estatal consumir reserva de lucros diante dos efeitos da renovação dos contratos.

Poucos meses antes, em abril, o executivo havia dito que a Eletrobras perseguiria a meta de distribuir 50 por cento do lucro em dividendos --a remuneração aos acionistas de 2010 e 2011 já tinha ficado perto desse percentual.

“As pessoas colocavam dinheiro na Eletrobras e nas elétricas em geral em busca de dividendos. E agora? Isso gera uma insegurança muito grande”, disse o sócio-diretor da Título Corretora, Márcio Cardoso.

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