Dólar sobe e aproxima-se mais de R$2,10, com mercado testando o BC

quarta-feira, 21 de novembro de 2012 18:30 BRST
 

Por Danielle Fonseca e Natália Cacioli

SÃO PAULO, 21 Nov (Reuters) - O dólar fechou em alta nesta quarta-feira, aproximando-se cada vez mais do teto informal de 2,10 reais, com o mercado testando o Banco Central e em meio a especulações de que o governo poderia favorecer o real mais desvalorizado para impulsionar a atividade econômica do país.

A moeda norte-americana subiu 0,68 por cento, a 2,0952 reais na venda, mantendo-se no maior nível de fechamento desde o dia 15 de maio de 2009, quando ficou em 2,109 reais. Na parte da manhã, o dólar chegou à máxima de 2,0995 reais.

Segundo dados da BM&F, o volume negociado foi de 2,592 bilhões de dólares, melhor do que nos últimos dias, quando ficou abaixo de 2 bilhões de dólares.

"Ainda estamos esperando uma atuação do BC. Por enquanto ele deve estar analisando se essa alta é um movimento pontual", disse o economista da Link Investimentos Thiago Carlos.

Desde meados deste ano, consolidou-se a banda informal de 2 a 2,10 reais para dólar após diversas intervenções da autoridade monetária. A moeda norte-americana atingiu 2,10 reais no intradia pela última vez no dia 28 de junho, quando o BC anunciou um leilão de swap cambial tradicional --equivalente a uma venda de dólares no mercado futuro.

Essa atuação, somada a outras feitas anteriormente, puxaram o dólar para abaixo de 2 reais logo no início de julho. Logo em seguida, o diretor de Política Monetária do BC, Aldo Mendes, disse que o dólar abaixo de 2 reais não era bom para a indústria e desde então a moeda não saiu mais dessa banda informal.

Agora, os investidores avaliam que o governo pode estar abrindo o caminho para que o dólar avance sobre 2,10 reais, a fim de estimular a economia, já que o espaço para atuações em outras frentes --como a fiscal-- está cada vez menor. Há avaliações de que o dólar poderia subir a 2,12 ou 2,15 reais no curto prazo, a fim de não atrapalhar o controle da inflação em 2013.

Na tarde desta quarta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu que o objetivo do governo é atuar "o mínimo possível" no mercado cambial, sugerindo que o governo poderia deixar o dólar subir mais. Para ele, a valorização do dólar está relacionada ao aumento da apreensão no mercado internacional.   Continuação...