22 de Novembro de 2012 / às 12:42 / em 5 anos

Brasil pode ajudar Carrefour na busca por aumento de capital

Rede de supermercados Carrefour passa por mudanças no Brasil após tentativa de fusão com maior grupo de varejo do país fracassar. 15/06/2012John Kolesidis

Por Dominique Vidalon e Pascale Denis

PARIS, 22 Nov (Reuters) - O Carrefour tem passado por uma série de mudanças desde que seu ex-presidente viu a tentativa de se unir ao maior grupo varejista do Brasil fracassar no ano passado, e a maior economia da América do Sul pode acelerar essas transformações.

Seis meses após se tornar presidente-executivo do maior varejista da Europa e segunda maior do mundo, Georges Plassat foi responsável pela desativação de negócios em países não estratégicos para recuperar a deficitária operação de hipermercados e levantar caixa.

O Carrefour ainda tem cartas na manga, como a venda de parte das operações no Brasil para financiar a expansão neste que é um dos mercados de consumo que mais crescem no mundo. O Brasil é o segundo maior mercado do grupo após a França, com 13,5 por cento das vendas em 2011.

A companhia, que já levantou 2,8 bilhões de euros (3,6 bilhões de dólares) com a venda de unidades na Indonésia, Colômbia e Malásia, pode garantir de 1,5 bilhão a 2 bilhões de euros com desinvestimentos na Turquia, Polônia, Romênia e Taiwan, além de 1 bilhão a 2 bilhões de euros com a listagem de uma fatia minoritária no Brasil, segundo analistas.

"Acreditamos que os planos de alienação não acabaram, embora não esperemos mais desinvestimentos em escala tão grande até o fim do ano", disse o analista Pierre-Edouard Boudot, da Natixis, acrescentando que uma alienação minoritária no Brasil "pode fazer sentido".

O Carrefour ocupa a vice-liderança no varejo brasileiro, com 13 por cento do mercado, atrás do Grupo Pão de Açúcar, controlado pelo arquirrival Casino, e à frente do gigante norte-americano Wal-Mart.

O presidente do Conselho do Pão de Açúcar, Abilio Diniz, tentou unir as operações do grupo às do Carrefour no Brasil no ano passado, contrariando um longo relacionamento com o Casino. O Casino frustrou os planos e garantiu o controle da varejista, como esperado.

Um alto funcionário do setor financeiro em Paris afirmou que uma oferta de venda no Brasil seria uma "possibilidade única" de "levantar capital".

O Carrefour não quis comentar o assunto.

FOCO NO BRASIL

O Carrefour deve destinar às operações europeias grande parte recursos que obteve com as vendas de operações, já que investiu na Europa de 1,6 bilhão a 1,7 bilhão de euros em 2012, ante 2,3 bilhões.

Segundo analistas, este atual nível --cerca de 2 por cento das vendas-- mal cobre o custo de manter as lojas.

O grupo também precisa de caixa para reduzir dívida --cerca de 7 bilhões de euros no fim de 2011-- e manter os preços baixos na França para elevar o movimento nos hipermercados.

Mais recursos podem ser necessários para acelerar a expansão na China e no Brasil, embora Plassat ainda tenha de mapear os planos nesses países.

As vendas na China têm sido prejudicadas pela desaceleração econômica, mas o Brasil tem ocupado os holofotes, com crescimento de vendas de 9,7 por cento no terceiro trimestre.

Caso o Carrefour decida acelerar a expansão no Brasil, listar uma parte do negócio pode ser uma opção para obter recursos.

"Um potencial IPO (oferta pública inicial) no Brasil pode ser viável e teria um impacto bastante significativo", afirmaram analistas do Barclays, em nota.

Segundo o banco, a venda de 25 por cento das operações no Brasil, avaliadas em 4,7 bilhões de euros, poderia resultar em 1,2 bilhão de euros.

Informações não confirmadas na mídia apontam que o Carrefour pode tentar listar uma parte minoritária da sua joia da coroa no Brasil, o Atacadão.

O analista Gildas Aitamer, da PlanetRetail, disse que o Atacadão precisa acelerar a expansão de lojas para alcançar a crescente concorrência do Assaí, do Pão de Açúcar, e do Maxxi, do Wal-Mart.

A Natixis estima que um IPO do Atacadão pode resultar em 1 bilhão a 2 bilhões de euros. Já a Exane BNP, que avalia o Atacadão em 5 bilhões de euros, prevê que a listagem de 20 a 25 por cento resultaria em 1 bilhão de euros.

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