Brasil pode ajudar Carrefour na busca por aumento de capital
Por Dominique Vidalon e Pascale Denis
PARIS, 22 Nov (Reuters) - O Carrefour tem passado por uma série de mudanças desde que seu ex-presidente viu a tentativa de se unir ao maior grupo varejista do Brasil fracassar no ano passado, e a maior economia da América do Sul pode acelerar essas transformações.
Seis meses após se tornar presidente-executivo do maior varejista da Europa e segunda maior do mundo, Georges Plassat foi responsável pela desativação de negócios em países não estratégicos para recuperar a deficitária operação de hipermercados e levantar caixa.
O Carrefour ainda tem cartas na manga, como a venda de parte das operações no Brasil para financiar a expansão neste que é um dos mercados de consumo que mais crescem no mundo. O Brasil é o segundo maior mercado do grupo após a França, com 13,5 por cento das vendas em 2011.
A companhia, que já levantou 2,8 bilhões de euros (3,6 bilhões de dólares) com a venda de unidades na Indonésia, Colômbia e Malásia, pode garantir de 1,5 bilhão a 2 bilhões de euros com desinvestimentos na Turquia, Polônia, Romênia e Taiwan, além de 1 bilhão a 2 bilhões de euros com a listagem de uma fatia minoritária no Brasil, segundo analistas.
"Acreditamos que os planos de alienação não acabaram, embora não esperemos mais desinvestimentos em escala tão grande até o fim do ano", disse o analista Pierre-Edouard Boudot, da Natixis, acrescentando que uma alienação minoritária no Brasil "pode fazer sentido".
O Carrefour ocupa a vice-liderança no varejo brasileiro, com 13 por cento do mercado, atrás do Grupo Pão de Açúcar, controlado pelo arquirrival Casino, e à frente do gigante norte-americano Wal-Mart.
O presidente do Conselho do Pão de Açúcar, Abilio Diniz, tentou unir as operações do grupo às do Carrefour no Brasil no ano passado, contrariando um longo relacionamento com o Casino. O Casino frustrou os planos e garantiu o controle da varejista, como esperado.
Um alto funcionário do setor financeiro em Paris afirmou que uma oferta de venda no Brasil seria uma "possibilidade única" de "levantar capital". Continuação...

