22 de Novembro de 2012 / às 20:38 / 5 anos atrás

Dólar em alta eleva rentabilidade do setor de commodities--AEB

Por Fabíola Gomes

SÃO PAULO, 22 Nov (Reuters) - Com o dólar em alta, o setor de commodities no Brasil deve ver melhora da rentabilidade, muito mais do que um ganho de competitividade, uma vez que já vem trabalhando com preços altos no mercado internacional, avaliou presidente de associação que reúne exportadores.

"O dólar subindo não tem nenhum impacto hoje, porque a cotação das commodities hoje está tão elevada que a taxa de câmbio é apenas um fator de rentabilidade...", disse José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Na avaliação de Castro, qualquer que seja a taxa de câmbio, as vendas externas de commodities manterão seu ritmo.

"A elevação da taxa de câmbio apenas aumenta a rentabilidade da empresa exportadora ou produtora, mas isso não vai gerar mais exportações", disse.

No caso das commodities, o preço fixado em dólar pelos mercados internacionais está muito acima do custo de produção no Brasil, e elas já têm competitividade, destacou Castro.

O dólar atingiu o maior valor em três anos e meio na última sexta-feira, superando 2,08 reais, e vem oscilando acima desse valor. Nesta quinta-feira, a moeda norte-americana fechou em alta de 0,16 por cento, a 2,0985 reais na venda.

Ele admitiu, no entanto, que a taxa atual é mais favorável para o setor que a vista há pouco mais de um ano. "A taxa (do dólar) de 2,10 reais é uma taxa melhor do que 1,56 real que estava um tempo atrás, mas ela não é uma taxa que torna o produto mais competitivo por si só".

Ele pondera que a taxa ideal varia de acordo com a empresa ou setor, mas considera que um dólar em torno de 2,40 reais, por exemplo, tornaria 90 por cento das exportações brasileiras competitivas.

MERCADOS

O executivo lembra que a competitividade do Brasil, atualmente, depende em grande parte do comportamento da China, que é um grande demandante de commodities, mantendo os preços destes produtos em patamares elevados.

"Como 70 por cento da nossa pauta de exportação é de commodities, uma queda no preço ou na quantidade interfere diretamente nossa balança comercial", ressaltou.

A AEB estima queda de entre 14 e 15 bilhões de dólares nas exportações do país ante o ano passado, para cerca de 241 bilhões de dólares, basicamente em função de commodities --principalmente o minério de ferro, cujo principal destino é a China.

Castro destacou ainda que é preciso atenção à Europa, que também é um grande comprador de commodities. "Esta crise na Europa, com a elevação do desemprego, isso pode fazer com que a demanda europeia, mesmo por alimentos, ela sofra retração, afetando o preço das commodities", ponderou.

EMPRESAS E SETORES

"O reflexo da taxa de câmbio agora poderá ser sobre as exportações de manufaturados. Neste (setor) sim, a taxa de câmbio vai definir ou não a competitividade", disse Castro.

Neste cenário atual de dólar mais firme, ele considera que as empresas com algum grau de beneficiamento dos produtos serão favorecidas, incluindo aí as empresas de processamento de carnes.

No último trimestre, empresas de proteína animal, como JBS, Minerva e Brasil Foods, destacaram em seus balanços que a valorização do dólar ajudou a melhorar a receita e rentabilidade.

O analista da SWL Corretora, Cauê Pinheiro, lembra que no ano passado a operação de venda para o mercado externo estava prejudicada, com margens apertadas.

"Mas agora, com esta alta do dólar, isso aí se traduz em margem para as empresas, em competitividade... Isso se repete neste trimestre", disse.

No caso da soja, cujo complexo é o principal da pauta de exportações do Brasil, boa parte das vendas da nova safra foram realizadas anteriormente, quando os preços atingiram recordes, no início de setembro. Agora as cotações recuaram, e a alta do dólar não foi suficiente para detonar novas rodadas de vendas pelos produtores, disse o analista Fábio Meneghin, da Agroconsult.

"Está meio parado o mercado, por causa da queda da bolsa de Chicago. Muita coisa já foi fixada (vendida)", afirmou ele, lembrando que em algumas regiões de Mato Grosso cerca de 70 por cento da safra já foi comercializada antecipadamente.

Reportagem Fabíola Gomes

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