Alemanha e Grã-Bretanha condicionam acordo sobre orçamento da UE a mais cortes

sexta-feira, 23 de novembro de 2012 12:35 BRST
 

Por Charlie Dunmore e Ethan Bilby

BRUXELAS, 23 Nov (Reuters) - A Grã-Bretanha e a Alemanha alertaram nesta sexta-feira que não haverá acordo em uma cúpula sobre a proposta de um orçamento de 1 trilhão de euros de longo prazo para a União Europeia sem cortes de gastos mais profundos, após a última tentativa de acordo não levar em conta os pedidos dos dois países por mais restrições.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, rejeitou uma proposta de aliviar os cortes nos subsídios agrícolas da UE e na ajuda regional para França e Polônia, e de realocação das reduções em outros pontos do orçamento para manter o corte geral em cerca de 80 bilhões de euros.

"Não é o momento para ficar remendando", disse ele a repórteres ao chegar para o segundo dia de negociações sobre o tema.

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou não acreditar que os líderes alcançarão a unanimidade necessária para chegar a um acordo sobre o orçamento nesta cúpula, mas minimizou as consequências disso.

"Eu sempre disse que não seria dramático se hoje for apenas o primeiro passo", disse ela a repórteres. "Acho que as posições ainda estão muito distantes e se precisarmos de uma segunda rodada, teremos tempo para fazer isso."

Mas autoridades da UE alertaram que falhar em alcançar um acordo irá desviar tempo e recursos dos esforços para solucionar a crise a zona do euro, além de reforçar a impressão entre cidadãos e investidores de que os líderes do bloco sofrem de uma indecisão coletiva.

Isso também atrasaria o cronograma de investimentos de centenas de bilhões de euros em infraestrutura de transporte e energia nos países ex-comunistas do leste do bloco, cujo objetivo é ajudá-los a se aproximar economicamente das nações do oeste do bloco, mais ricas.

Alemanha, Grã-Bretanha, Suécia e Holanda, todos contribuidores líquidos para o orçamento do bloco, pressionam por mais cortes, de entre 30 e 75 bilhões de euros, além dos 80 bilhões já incluídos no plano original da Comissão Europeia.