Ação da EADS cai diante de novas manobras de acionistas

sexta-feira, 23 de novembro de 2012 14:30 BRST
 

BRUXELAS/FRANKFURT, 23 Nov (Reuters) - Novos sinais de que Alemanha, França e acionistas que representam esses países estão disputando posições na EADS derrubaram as ações da fabricante dos aviões Airbus nesta sexta-feira, com investidores preocupados com potencial excesso de ações no mercado e interferência estatal.

No mais novo capítulo desde o colapso das negociações de fusão com a BAE Systems no mês passado, o jornal alemão Handelsblatt noticiou nesta sexta-feira que a França pode vender 3 por cento da EADS à Alemanha, dentro dos esforços de ambos os países de ter proporções iguais na companhia.

Isso forçaria a montadora Daimler, que representa os interesses alemães no maior grupo aeroespacial da Europa, a vender 3 por cento da EADS no mercado em nome do equilíbrio franco-germânico.

Às 14h13 (de Brasília), as ações da EADS caíam 1,07 por cento, a 24,97 euros.

"A manobra dos acionistas que representam os governos e a possibilidade de uma significante venda secundária sem dúvida pesam sobre a confiança do investidor", opinou Rob Stallard, analista da RBC Capital Markets, em nota.

A estrutura acionária da controladora da Airbus tem estado em pauta desde que a fusão com a BAE teve veto Alemanha e elevou os esforços de Berlim para ter um papel mais direto na EADS, equivalente ao da França.

França e Alemanha discutiram a questão nos bastidores de uma cúpula da União Europeia no Bruxelas nesta sexta-feira, disse uma fonte familiar com o assunto. Nenhuma decisão foi anunciada.

A EADS é controlada por participações francesas e alemãs que representam 45 por cento dos votos. A Espanha é dona de 5,5 por cento.

Diferentemente da França, cujo governo detém 15 por cento e uma parceria com a empresa de mídia Lagardère detém 7,5 por cento, a Alemanha exerce seu interesse apenas pela Daimler, que detém ou controla 22,5 por cento do grupo aeroespacial.

Lagardère e Daimler querem, ambas, reduzir as respectivas participações. A EADS não quis comentar o assunto.

(Por Maria Sheahan e Julien Ponthus)